quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sabedoria

1,16-2,24
O texto apresenta a filosofia de vida do injusto. Para este a única dimensão de vida é aquela que existe antes da morte. Como viver diante dessa perspectiva? Gozar o mais que for possível, já que não existe nada além dos prazeres desta vida. Por outro lado, para viver no ócio e no prazer, é preciso ter alguém que pague por isso. Daí nasce a desigualdade social, onde os bem-pensantes e privilegiados exploram os pobres, forçando-os  a sustentar o seu estilo de vida. Para quem acredita, é claro que tal construção é enganosa. O justo que não participa dessa filosofia, ergue seu grito e se torna um grande obstáculo para o modo de viver do injusto. Quando o povo explorado descobre que está servindo os caprichos de uma classe privilegiada, então se revolta e não teme sequer a  própria morte, pois sabe que ela pode ser o supremo testemunho de repúdio a injustiça, e assim tornar-se uma porta para a vida, “porque a injustiça é imortal”
3
1-16
É um comentário ao quarto mandamento do Decálogo. O respeito e o cuidado para com os pais preservam a consciência viva da identidade de um povo.
6
12-21
A sabedoria é o bom senso que cresce e se aprofunda em meio a adversidade. No exercício continuo do discernimento sobre circunstâncias e situações. O desejo de aprender é o ponto de partida; o ponto de chagada ultrapassa a nossa vida, pois a perfeição da sabedoria é o próprio discernimento de Deus.
6,22-7,14
A sabedoria de Salomão tornou-se legendária em Israel. Até hoje, muita gente pensa que para ser sábio é preciso ter muito dinheiro e cultura. O autor, porém, personificado como rei Salomão,  mostra que, diante da sabedoria, todos os homens são iguais e têm as mesmas chances. O importante é o que muita gente esquece: suplicar a Deus e pedir que ele a conceda, porque a sabedoria é dom de Deus. A riqueza e a cultura muitas vezes podem ser obstáculos para se atingir o bom senso da sabedoria.


8,17-9,18
Encerrando a longa advertência às autoridades (6,1-9,18), o autor apresenta a oração que deve nortear todos os governantes. O primeiro pedido é o dom da sabedoria, que permite às autoridades o discernimento, para realizar a justiça que Deus quer. Esta oração mostra que a autoridade não deve usurpar o lugar de Deus. Sua função é suplicar o dom de compreender o projeto dele, a fim de poder viabilizá-lo na história.
11,15-12,2
A vida do homem é determinada pelo culto á divindade que ele adora. Quem serve aos ídolos sofre as conseqüências destrutiva da idolatria. Estas, na verdade, são o castigo com que Deus chama a atenção dos idólatras. Ele é o único Senhor da vida, e quer que todos se convertam e encontrem o caminho para a vida.

12
3-18
A conquista da terra foi outro grande marco na história do povo. Depois de longamente explorado e oprimido, o povo consegue construir uma sociedade igualitária, voltada para a liberdade e a vida, superando assim os projetos idolátricos que produzem escravidão e morte. Isso trouxe compreensão de que o projeto de Deus está sempre voltado para a vida. Quem serve a outros projetos acaba por decretar a sua própria ruína, que virá repentinamente ou aos poucos. Nasce então a consciência de que Deus é o Senhor dos povos, e só ele conduz a história rumo a construção da liberdade e da vida. Qualquer outro Deus levará o povo a própria destruição.
15
11-20
Os inúmeros males que afligem a pessoa e a sociedade desafiam qualquer explicação. Podem até fazer com que as pessoas cheguem a afirmar que, em última análise, “foi Deus que fez as coisas assim”. No entanto, ele criou a humanidade livre, e isso comprova a grandeza , tanto de Deus como do ser humano. De fato, ser livre significa tomar decisões pessoais e coletivas para encaminhar a sociedade e a história. Os erros e acertos, em primeiro lugar, são méritos e responsabilidade do próprio homem, sempre convidado a rever seus projetos à Luz do Projeto de Deus, que só quer liberdade e vida para todos.

18
5-19
Variação bastante livre sobre a praga dos primogênitos, a Páscoa (Ex 12) e a travessia do mar Vermelho (Ex 14). É o ápice da ação de Deus, libertando o seu povo para a vida e julgando o opressor, com as mesmas armas que este antes havia usado contra o povo.
35
11-24
A suprema audácia dos mantenedores de uma estrutura social injusta está em tentar corromper Deus, procurando colocá-lo do lado deles. O grito do pobre denuncia a injustiça e obriga Deus a tomar o partido dele, restabelecendo a justiça. Cf. Lc 18,1-8 e nota.


Nenhum comentário:

Postar um comentário