sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Quem é fiel?

33º Domingo do Tempo Comum Ano A 19/11/2017
1ª Leitura - Pr 31,10-13.19-20.30-31
Com habilidade trabalham as suas mãos.
10Uma mulher forte, quem a encontrará?
Ela vale muito mais do que as jóias.
11Seu marido confia nela plenamente,
e não terá falta de recursos.
12Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto,
todos os dias de sua vida.
13Procura ló e linho,
e com habilidade trabalham as suas mãos.
19Estende a mão para a roca e seus dedos seguram o fuso.
20Abre suas mãos ao necessitado
e estende suas mãos ao pobre.
30O encanto é enganador e a beleza é passageira;
a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor.
31Proclamem o êxito de suas mãos,
e na praça louvem-na as suas obras!
Palavra do Senhor.
Nota da 1ª Leitura
Mais do que elogio a uma determinada esposa, o poema proclama a sabedoria personificada como esposa ideal, que leva o homem para a justiça, honra, prosperidade  e vida. É a companheira ideal para todos, homens e mulheres. Dessa forma a mulher fica livre das exigências desmedidas que a sociedade patriarcal e machista lhe impõe. 
Salmo - Sl 127,1-2.3.4-5 (R. 1a)
R. Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

1Feliz és tu se temes o Senhor*
e trilhas seus caminhos!
2Do trabalho de tuas mãos hás de viver,*
serás feliz, tudo irá bem!R.

3A tua esposa é uma videira bem fecunda*
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira*
ao redor de tua mesa.R.

4Será assim abençoado todo homem*
que teme o Senhor.
5O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida;*
para que vejas prosperar Jerusalém.R.
Nota do Salmo
Oração em estilo sapiencial ( sentença moral) sobre a felicidade do justo.
Temer a Deus consiste em reconhecer que só ele é Deus, e o homem não é Deus. Daí nasce a obediência à vontade de Deus, que abençoa e ensina o caminho da vida: trabalho honesto, amor matrimonial, paternidade e maternidade que partilham a vida.
Do ciclo familiar para todo o povo: da cidade da aliança Deus abençoa a todos, criando uma história de paz.
2ª Leitura - 1Ts 5,1-6
Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.
1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos,
não há por que vos escrever.
2Vós mesmos sabeis perfeitamente
que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite.
3Quando as pessoas disserem: 'Paz e segurança!',
então de repente sobrevirá a destruição,
como as dores de parto sobre a mulher grávida.
E não poderão escapar.
4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo
que esse dia vos surpreenda como um ladrão.
5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia.
Não somos da noite, nem das trevas.
6Portanto, não durmamos, como os outros,
mas sejamos vigilantes e sóbrios.
Palavra do Senhor.
Nota da 2ª Leitura
Saber com precisão a data da parusia de Cristo é desejo muito humano, porém fadado à frustração.Conforme a tradição cristã, só Deus Pai conhece o momento preciso: "Quanto a esse dia e hora , ninguém sabe nada, nem os anjos do céu, nem o Filho. Somente o Pai é que sabe". (Mc 13,32). Aos cristãos cabe esperar com espírito vigilante. 
Evangelho - Mt 25,14-30
Como foste fiel na administração de tão
pouco, vem participar de minha alegria.
Naquele tempo,
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
14Um homem ia viajar para o estrangeiro.
Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens.
15A um deu cinco talentos,
a outro deu dois e ao terceiro, um;
a cada qual de acordo com a sua capacidade.
Em seguida viajou.
16O empregado que havia recebido cinco talentos
saiu logo,
trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.
17Do mesmo modo, o que havia recebido dois
lucrou outros dois.
18Mas aquele que havia recebido um só,
saiu, cavou um buraco na terra,
e escondeu o dinheiro do seu patrão.
19Depois de muito tempo, o patrão voltou
e foi acertar contas com os empregados.
20O empregado que havia recebido cinco talentos
entregou-lhe mais cinco, dizendo:
`Senhor, tu me entregaste cinco talentos.
Aqui estão mais cinco que lucrei'.
21O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
como foste fiel na administração de tão pouco,
eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
22Chegou também o que havia recebido dois talentos,
e disse:
`Senhor, tu me entregaste dois talentos.
Aqui estão mais dois que lucrei'.
23O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
Como foste fiel na administração de tão pouco,
eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento,
e disse: `Senhor, sei que és um homem severo,
pois colhes onde não plantaste
e ceifas onde não semeaste.
25Por isso fiquei com medo
e escondi o teu talento no chão.
Aqui tens o que te pertence'.
26O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso!
Tu sabias que eu colho onde não plantei
e que ceifo onde não semeei?
27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco,
para que, ao voltar,
eu recebesse com juros o que me pertence.'
28Em seguida, o patrão ordenou:
`Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez!
29Porque a todo aquele que tem
será dado mais, e terá em abundância,
mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30Quanto a este servo inútil,
jogai-o lá fora, na escuridão.
Ali haverá choro e ranger de dentes!'
Palavra da Salvação.
Nota do Evangelho

Não basta está preparado, esperando passivamente a manifestação de Jesus. É preciso arriscar e lançar-se à ação, para que os dons recebidos frutifiquem e cresçam. Jesus confiou a comunidade cristã a revelação da vontade de Deus e a chave do Reino. No julgamento, ele pedirá contas por esse dom. A comunidade o repartiu e o fez crescer, ou escondeu dos homens?

sábado, 11 de novembro de 2017

Quem é sábio?

32º Domingo do Tempo Comum Ano A da Igreja Católica - 12/11/2017
1ª Leitura - Sb 6,12-16
A sabedoria é encontrada por aqueles que a procuram.
Leitura do Livro da Sabedoria 6,12-16
12A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa.
Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam,
e é encontrada por aqueles que a procuram.
13Ela até se antecipa,
dando-se a conhecer aos que a desejam.
14Quem por ela madruga não se cansará,
pois a encontrará sentada à sua porta.
15Meditar sobre ela é a perfeição da prudência;
e quem ficar acordado por causa dela
em breve há de viver despreocupado.
16Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem,
cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas
e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.
Palavra do Senhor.
Nota da 1ª Leitura
A sabedoria é o bom senso que cresce e se aprofunda em meio a adversidade. No exercício continuo do discernimento sobre circunstâncias e situações. O desejo de aprender é o ponto de partida; o ponto de chagada ultrapassa a nossa vida, pois a perfeição da sabedoria é o próprio discernimento de Deus.

Salmo - Sl 62,2.3-4.5-6.7-8 (R. 2b)
R. A minh'alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

2Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!*
Desde a aurora ansioso vos busco!
A minh'alma tem sede de vós,
minha carne também vos deseja,*
como terra sedenta e sem água!R.

3Venho, assim, contemplar-vos no templo,*
para ver vossa glória e poder.
4Vosso amor vale mais do que a vida:*
e por isso meus lábios vos louvam.R.

5Quero, pois vos louvar pela vida,*
e elevar para vós minhas mãos!
6A minh'alma será saciada,
como em grande banquete de festa;*
cantará a alegria em meus lábios.R.

7Penso em vós no meu leito, de noite,*
nas vigílias suspiro por vós!
8Para mim fostes sempre um socorro;*
de vossas asas à sombra eu exulto!R.
Nota do Salmo
Súplica de um levita exilado.
Longe do Templo, onde se manifesta a presença do  Deus da Aliança, o levita se sente privado do seu elemento vital.
Na esperança de voltar um dia a participar do louvor e banquetes rituais, o salmista reconhece que o amor de Deus vale mais do que a vida. Esta só tem sentido quando movida por esse amor.
Lembrança de Deus, no silêncio da noite. Mesmo longe do Templo e da terra prometida, o exilado sente a presença de Deus que lhe sustenta o ânimo. Tratas-se de uma presença muito especial: a ausência sentida.
Os inimigos são os de portadores. A mensão do rei, talvez Sedecias, faz pensar que o salmista teria sido deportado em 597 a.C. 


2ª Leitura - 1Ts 4,13-18
Deus trará de volta, com Cristo, os que
através dele entraram no sono da morte.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 4,13-18
13Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza
a respeito dos mortos,
para que não fiqueis tristes
como os outros, que não têm esperança.
14Se Jesus morreu e ressuscitou - e esta é nossa fé -
de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo,
os que através dele entraram no sono da morte.
15Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor:
nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor
não levaremos vantagem em relação aos que morreram.
16Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem,
à voz do arcanjo e ao som da trombeta,
descerá do céu
e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
17Em seguida, nós que formos deixados com vida
seremos arrebatados com eles nas nuvens,
para o encontro com o Senhor, nos ares.
E assim estaremos sempre com o Senhor.
18Exortai-vos, pois, uns aos outros,
com estas palavras.
Palavra do Senhor.


Evangelho - Mt 25,1-13
O noivo está chegando. Ide ao seu encontro.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,1-13
Naquele tempo,
disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola:
1'O Reino dos Céus é como a história das dez jovens
que pegaram suas lâmpadas de óleo
e saíram ao encontro do noivo.
2Cinco delas eram imprevidentes,
e as outras cinco eram previdentes.
3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas,
mas não levaram óleo consigo.
4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo
junto com as lâmpadas.
5O noivo estava demorando
e todas elas acabaram cochilando e dormindo.
6No meio da noite, ouviu-se um grito:
`O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!'
7Então as dez jovens se levantaram
e prepararam as lâmpadas.
8As imprevidentes disseram às previdentes:
`Dai-nos um pouco de óleo,
porque nossas lâmpadas estão se apagando.'
9As previdentes responderam:
`De modo nenhum,
porque o óleo pode ser insuficiente
para nós e para vós.
É melhor irdes comprar aos vendedores'.
10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou,
e as que estavam preparadas
entraram com ele para a festa de casamento.
E a porta se fechou.
11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram:
`Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!'
12Ele, porém, respondeu:
`Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!'
13Portanto, ficai vigiando,
pois não sabeis qual será o dia, nem a hora.
Palavra da Salvação.

Nota do Evangelho
Nesta parábola, o noivo é Jesus, que que virá no fim da história. As virgens representam as comunidades cristãs, que devem sempre está preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a prática da justiça (o óleo). 



sábado, 4 de novembro de 2017

Quem é Santo?

31º Domingo do Tempo Comum - Solenidade de Todos os Santos

Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14)
Leitura do Livro do Apocalipse de São João:
Eu, João, 2vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3“Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”.
4Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.
9Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”.
11Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12“Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. 13E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?”14Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”.
E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.
- Palavra do Senhor.
Nota da 1ª Leitura
O aspecto positivo do grande Dia é a salvação. O povo de Deus (doze tribos) é protegido no julgamento (os Anjos seguram os quatro ventos). A marca na fronte é o sinal da salvação e da pertença a Deus. O povo de Deus é apresentado como o Israel total e perfeito (12 x 12 x 1.000 = 144.000). é um povo incontável (v. 9), porque a salvação está aberta para todos os homens (gente de todas as nações, tribos, povos e línguas).
O povo de Deus reconhece que a salvação vem de Deus e do Cordeiro. Não são as coisas e nem os homens absolutizados que salvam. Unido aos anjos e à criação, o povo de Deus adora a Deus e reconhece que a plenitude do louvor pertence somente a Deus.

Responsório (Sl 23)
— É assim a geração dos que procuram o Senhor!
— Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,/ o mundo inteiro com os seres que o povoam;/ porque ele a tornou firme sobre os mares,/ e sobre as águas a mantém inabalável.
— “Quem subirá até o monte do Senhor,/ quem ficará em sua santa habitação?”/ “Quem tem mãos puras e inocente coração,/ quem não dirige sua mente para o crime.
— Sobre este desce a bênção do Senhor/ e a recompensa de seu Deus e Salvador”./ “É assim a eração dos que o procuram,/ e do Deus de Israel buscam a face”.
Nota do Salmo
Procissão que termina com diálogo litúrgico na porta de Jerusalém, para celebrar a conquista da cidade (cf. 2Sm 5,6-10). A presença de Javé é simbolizada pela Arca da Aliança.
Talvez um cântico durante a procissão.
Pergunta e resposta sobre as condições para entrar na cidade de Javé. Cf. Sl 15 e nota.
Diálogo diante da porta da cidade, entre a procissão que chega e um grupo que fica no alto das muralhas, representação dos jebuseus, antigos moradores da cidade.

Segunda Leitura (1Jo 3,1-3)
Leitura da Primeira Carta de São João:
Caríssimos: 1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai.
2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.
- Palavra do Senhor.
Nota da 2ª Leitura
O dom do Espírito nas pessoas a contínua memória e compreensão sobre a pessoa de Jesus (cf. Jo 14,26). É o Espírito, portanto, que gera fé em Jesus e fé é compromisso que produz vida nova. Essa vida, porém, não se traduz apenas por um conhecimento intelectual, mas pela prática do mandamento do amor, que não significa apenas amar com sentimento e com afeto, mas através de ações concretas que provocam a vida e a liberdade dos irmãos. A prática do amor não tem limites, pois devemos amar como Jesus amou: assim como ele foi até o fim dando sua vida por nós, também nós devemos dar a vida pelos irmãos. O Evangelho não pede que sejamos perfeitos para depois amar; pede-nos, sim, que amemos concretamente, certos de que Deus é maior do que a nossa consciência e compreende e perdoa todas as nossas imperfeições.

Anúncio do Evangelho (Mt 5,1-12a)
Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
— Palavra da Salvação.
Nota do Evangelho
As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime.
Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito.” Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles tem necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade.



terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Solidariedade crescerá e atingirá o mundo inteiro

30ª Semana do Tempo comum Ano A da Igreja Católica 31/10/2017

Primeira Leitura (Rm 8,18-25)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos, 18eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. 19De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. 20Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; 21também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. 22Com efeito, sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. 23E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. 24Pois já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? 25Mas se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança.
- Palavra do Senhor.
Comentário da 1ª Leitura
A luta contra o egoísmo é possível para aqueles que entram no âmbito do Espírito. Essa luta não terminou, mas está em contínuo processo: vivemos na esperança de conseguir a vitória final. Esse anseio é universal e se expressa nos clamores da natureza e do homem. A natureza espera ser libertada  do uso egoísta, para ser partilhada e colocada a serviço de todos. Os homens esperam ser libertos de toda exploração e opressão que escravizam seus corpos, a fim de sempre mais se projetarem gratuitamente a serviço dos irmãos. Entretanto, a salvação plena é uma realidade futura e inimaginável. Cegos pelo sistema egoísta, muitas vezes não conseguimos enxergar o caminho. É o clamor do Espírito que nos dirige, então, orientando-nos conforme a vontade de Deus.
Responsório (Sl 125)
— Maravilhas fez conosco o Senhor!
— Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções.
— Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
— Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria.
— Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!
Comentário do Salmo
Oração coletiva de súplica (v. 4) fundamentada no agradecimento  pela libertação do exílio.
Numa situação difícil,  o povo relembra a grande libertação, que se tornou anúncio até para os pagãos.
Da semeadura e da colheita, o povo aprende que uma  situação nova de prosperidade e alegria se atinge através da tristeza e sofrimentos na luta.
Evangelho (Lc 13,18-21)
Naquele tempo, 18Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? 19Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. 20Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 21Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.
— Palavra da Salvação.
Comentário do Evangelho
Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro.




sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Deus é o Verdadeiro Presidente

30º Domingo do Tempo Comum Ano A_ Igreja Católica 
29/10/2017

Primeira Leitura (Êx 22,20-26)
Assim diz o Senhor: 20Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito.
21Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. 22Se os maltratardes, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor. 23Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas e órfãos os vossos filhos.
24Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário, dele cobrando juros.
25Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr do sol. 26Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir. Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.
- Palavra do Senhor.
Nota Êx 22, 17-27
Os VV. 20-26 condenam a exploração da miséria. O imigrante, o órfão, a viúva e o pobre são pessoas que não podem defender-se: devem ser protegidas pelo direito. As necessidades vitais do homem estão acima de qualquer direito de propriedade.

Responsório (Sl 17)
— Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.
— Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e Salvador! Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, minha força e poderosa salvação.
— Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, sois meu escudo e proteção: em vós espero! Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! E dos meus perseguidores serei salvo!
— Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! E louvado seja Deus, meu Salvador! Concedeis ao vosso rei grandes vitórias e mostrais misericórdia ao vosso Ungido.
Nota Salmo18(17)
Com poucas diferenças, este salmo é reproduzido em 2Sm 22. Trata-se de uma celebração para agradecer a proteção de Deus, através da qual o rei Davi pôde realizar sua função política.
2-25
A função da autoridade política não é usurpar o lugar de Deus, usando o poder para seus próprios interesses e privilégios. É tornar historicamente presente e visível a ação de Deus, que liberta dos inimigos o seu povo, para fazê-lo viver segundo a justiça e o direito. Quando a autoridade política de fato procura ser mediadora na realização do projeto divino, ela pode invocar a Deus e estar certa de que ele responderá, dando eficácia a ela em seus empreendimentos.
26-30
A autoridade é íntegra quando reflete a própria integridade de Deus; esta consiste em fazer justiça, salvando o povo pobre rebaixando o opressor.
31-35
Outra função da autoridade é eliminar a idolatria, para que o povo possa, de fato, reconhecer o Deus vivo e o projeto dele.
36-43
Se a autoridade serve realmente a Deus e ao povo, ela se torna invencível: pode, ao mesmo tempo, contar o apoio de Deus e com a credibilidade e apoio popular.
44-51
Quando a autoridade realiza a justiça em nome de Deus, o povo vive na fraternidade e o rei justo se torna modelo de liderança para outros povos.


Segunda Leitura (1Ts 1,5c-10)

Irmãos: 5cSabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem. 6E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7Assim vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia.
8Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos falar, 9pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes e como vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, 10esperando dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra do castigo que está por vir.
- Palavra do Senhor.
Nota de 1Ts 1, 4-10
Sobre a tribulação, cf. nota em Rm 5,1-11. Paulo relembra o primeiro anúncio (querigma) que provocou a conversão dos tessalonicenses. Conforme os VV. 9-10, esse primeiro anúncio do Evangelho era um convite à mudança radical: deixar os ídolos para servir unicamente ao Deus vivo. Os ídolos são valores considerados absolutos mas na realidade, sustentam uma estrutura de sociedade baseada na opressão e exploração do corpo e da consciência do homem. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que manifesta na história a presença e ação do Deus verdadeiro, o qual está comprometido  com a libertação e a vida do homem. A conversão é um processo contínuo na história. O cristão dando seu testemunho, animado sempre pela espera da plena manifestação de Jesus Ressuscitado.

Anúncio do Evangelho (Mt 22,34-40)
Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”
37Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.
— Palavra da Salvação.
Nota Mt. 22, 34-40 Ver Cf. nota em Mc 12, 28-34
 Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade de cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus.

Edinólia Oliveira

Todo líder político será justos para o povo se servir os mandamentos de Deus. Não é utopia, é a realidade do Criador. O líder que não obedecer a Deus, esse vai padecer. E Jesus Cristo é a grande manifestação de Deus. É Deus conosco que veio para nos ensinar a amar e servir o próximo. 




sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Dai ao Brasil o que é do Brasil e dai a Deus o que é de Deus

29º Domingo do Tempo Comum Ano A_ Igreja Católica 
22/10/2017

Primeira Leitura (Is 45,1.4-6)
Leitura do Livro do profeta Isaías:
1Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu Ungido: “Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha, e para não deixar trancar os portões.
4Por causa de meu servo Jacó, e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste. 5Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus. Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, 6para que todos saibam, do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro”.
Palavra do Senhor!
Nota 45 1-7
Deus, o Senhor da história, é quem dirige as nações e acontecimentos para dar liberdade e vida ao povo que a ele se aliou. Para realizar o seu projeto, Javé se serve da história dos povos, chegando mesmo a tomar um rei pagão para revesti-lo com a função de messias  (ungido), própria dos reis de Israel. O Deus vivo não está confinado a um templo, nem a uma instituição, nem a determinada estrutura de religião o lugar eminente de seu agir é a história e a vida. O v. 7 salienta que Javé criou todas as coisas, e sabemos, pela Bíblia, que toda criação é boa (cf. Gn 1, 4.10.12 etc. Eclo 39, 12-35). A distinção entre o bem e o mal começa a partir do posicionamento que o homem toma diante do projeto de Deus.


Responsório (Sl 95)
— Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!
— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!
— Pois Deus é grande e muito digno de louvor, é mais terrível e maior que os outros deuses, porque um nada são os deuses dos pagãos. Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus.
— Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! Oferecei um sacrifício nos seus átrios.
— Adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estremecei diante dele! Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”, pois os povos ele julga com justiça.
Nota 96(95)
Hino à realeza de Deus, que vem para estabelecer o seu Reino de justiça.
1-6
Louvor a Deus, proclamando a sua vitória sobre os ídolos das nações. A função do povo de Deus é testemunha na história, através do louvor e da ação, o Deus vivo que derrota os ídolos.
7-10
A proclamação central deste louvor é a realeza de Deus, soberano do universo e da história.
11-13
Toda a realidade é convidada a participar do louvor com que o povo aclama seu Deus. Sua realeza se estabelece na história à medida que a justiça triunfa sobre a injustiça. Em cada luta pela justiça, é o próprio Deus que está vindo para reinar.

Segunda Leitura (1Ts 1,1-5b)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:
1Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, graça e paz!
2Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-vos sempre em nossas orações. 3Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.
4Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. 5bPorque o nosso Evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso, com toda a abundância.
Nota 1
1
A Igreja é a comunidade Cristã local formada pelas pessoas que acreditam em Deus e se comprometem com o testemunho de Jesus Cristo.
2-3
Cf. nota  em Cl 1,3-8.
Nota de Colossenses
1
3-8
A trilogia fé-amor-esperança define a vida cristã na sua base, na sua concretização prática e no seu dinamismo histórico. A vida cristã nasce dos compromisso de fé em Jesus Cristo, que significa aceitar a vida e ação de Jesus e continuá-las entre os homens. O amor é a realização prática desse testemunho, através da partilha dos bens e da fraternidade, que concretizam o Reino de Deus no dia-a-dia da história. A esperança é o dinamismo que nasce do amor, alimentando a vida cristã, voltada para o futuro do Reino de Deus, isto é, para a realização plena da vida.

Anúncio do Evangelho (Mt 22,15-21)

Naquele tempo, 15os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?” 18Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda.

20E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” 21Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

15-22
Cf. nota em Mc 12,13-17. O novo povo de Deus pertence unicamente a Deus, e só Deus pode exigir do homem adoração.
Nota de Marcos 12
13-17
O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus a rejeitavam, mas os partidários de Herodes a aceitavam. Se Jesus responde “sim”, os fariseus o desacreditarão diante do povo;  se ele diz “não”, os partidários de Herodes poderão acusá-lo de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. Ele se preocupa é com o povo: a moeda é “de César”, mas o povo é “de Deus”. O imposto só é justo quando reverte em benefício do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como a estrangeira.

Edinólia Oliveira

A Educação e Saúde precisa de uma união de valores da população para cooperar ou se solidarizar com os mais pobres. Para Administrar esse valor, esse imposto elegemos os chefes de Estado Político. Presidente, Senadores, deputados federais, prefeitos e vereadores que se dizem representantes do povo.
Desde que o mundo vive em desenvolvimento que o ser humano precisa de um administrador. Mas houve escravidão e miséria por causa do Egoísmo, Quem tem muito não divide com quem tem pouco.  Essa é uma questão pra ser discutida.
Estamos em uma ditadura disfarçada de República.