sexta-feira, 16 de junho de 2017

Segundo Livro das Crônicas

1-9
A figura de Salomão é importante, mas secundária em relação à de seu pai Davi, porque, para o autor, Davi foi o organizador político do povo  e o fundador do culto israelita. Davi tinha deixado inclusive o material e o projeto para a construção do Templo. Salomão foi mero executor. Para o autor, a glória de Salomão é um meio de frisar a glória de Javé. A partir do reinado de salomão, é Javé quem passa a habitar no Templo em meio ao seu povo. O autor "esquece" propositalmente todos os erros de Salomão (veja 1Rs 3-11 e notas).
1
1-13
No início, Salomão se coloca diante de Deus, suplicando que seu governo seja, de fato, expressão da vontade divina. Para que isso realmente se concretize, é necessário que a ação política seja dirigida pela sabedoria e conhecimento. Em outras palavras: o governante deve ter conhecimento das necessidades e anseios do povo, para saber discernir os conflitos e encaminhar soluções justas. Cf; também nota em 1Rs 3,4-15.
14-17
Salomão procura imediatamente prover a nação de recursos bélicos, certamente por medidas de segurança. Veja, porém, nota em 1Rs 10,26-29.
1,18-2,15
Cf. npota em 1Rs 5,15-32. O autorde Crônicas, porém, frisa o sentido do Templo dentro da religião: é o lugar para o povo se reunir e invocar a Deus (Nome) e colocar-se diante de Deus e do seu projeto. O texto deixa claro que Deus e do seu projeto. O texto deixa claro que Deus não pode ser contido numa construção, seja ela mateiral (templo, igrejas, etc.), mental (conceitos, sistemas, teologias), seja social (instituições, movimentos, partidos, etc.).
2
16-17
O trabalho pesado se realiza por mão-de-obra estrangeira, recrutada entre os imigrantes. Com isso, o autor parece dizer que Israel não deve sujeitar-se a trabalhos inferiores...
3,1-5,1
Cf. nota em 1Rs 8,1-13. O autor se preocupa em mostrar a função dos levitas, mencionando-os ao lado dos sacerdotes. Dessa forma, ele tenta conciliar o conflito que tinha existido entre sacerdotes e levitas (cf. 1Rs 2,26-46 e nota).
6
3-20
O autor se serve do relato que aparece em 1Rs, para mostrar que Javé realiza o que promete, vindo habitar no meio do povo. Cf. também nota em 1Rs 8,14-29.
21-42
Repete-se aqui, quase literalmente, a oração de Salomão ao inaugurar o Templo de Jerusalém. Cf. 1Rs 8,30-66 e nota. No pós-exílio, tempo em que foi redigido este livro, o Templo é, por excelência, o lugar da súplica, aberto para todas as circunstâncias.
7
1-10
Os sinais de teofonia (fogo do céu, glória de Javé), depois da oração de Salomão, se apresentam como resposta divina às súplicas contidas nessa oração: doravante, o Templo se torna lugar simbólico, onde acontece a relação entre Deus e o povo. 
11-22
Cf. nota em 1Rs 9,1-9. O autor de Crônicas atualiza a adversidade para a situação do pós-exílio: as desgraças acarretadas pelo pecado deverão provocar um processo de conversão ao projeto de Javé (estatos e normas --- cf. Dt).

8
1-16
O autor quer salientar a glória de Salomão e o respeito pelos lugares consagrados e pelas observâncias religiosas. Cf., porém, nota em 1Rs 9,10-25. 
17-18
Cf. nota em 1Rs 9,26-28.
9
1-12
Cf. nota em 1Rs 10,1-13.
13-24
Cf. nota em 1Rs 10, 14-25.
25-28
Cf. nota em 1Rs 10,26-29.
29-31
Encontramos repentinamente a notícia da morte de Salomão, sem nenhuma alusão à sua decadência (cf. 1Rs 11). Referindo-se a fontes proféticas, o autor parece estar remetendo ao livro de 1Rs 1-11.
10-12
O autor de Crônicas eliminou muitas informações contidas nos livros dos Reis, pretendendo passar a idéia de que o reinado de Salomão foi irrepreensível. Mas não pode negar o resultado catastrófico que se foi preparando ao longo do governo desse rei: a divisão inevitável, que nunca mais seria curada. Doravante, as atenções do autor se concentram no Reino de Judá, onde permanecem a dinastia de Davi e o Templo de Jerusalém. 
10,1-11,4
Cf. nota em 1Rs 12,1-24.
11
5-12
Tendo que se contentar com território limitado. Roboão procura reforçar as cidades principais, tornando-as verdadeiras fortalezas. 
13-17
Jeroboão se esforçou para dar às tribos do Norte feição político-religiosa própria (cf. nota em 1Rs 12,25-33). O autor de Crônicas, porém, situação em tempo e situação diferentes, procura mostrar Jerusalém como lugar do verdadeiro culto a Javé. É para elas que todos devem dirigir-se. 
18-23
A esperteza política no fato de ele distribuir seus filhos por todas as regiões do reino, principalmente nas cidades fortificadas. De um lado, isso evitava competições entre os filhos; de outro, assegurava-lhe  o controle de todo o território o controle de todo o território.
12
1-16
Cf. nota em 1Rs 14,21-31.

13,1-21,1
Diferentemente dos livros dos Reis, Crônicas só registram a história dos reis de Judá, considerados como fiéis a Javé. O autor salienta o papel dos profetas no culto a Javé. mostrando que é Javé o protagonista principal de uma política, pela qual os reis se devem guiar.
13
1-23
O autor aproveita as poucas notícias que tem sobre o rei Abias (cf. nota em 1Rs 15,1-8) para mostrar que Jerusalém é o lugar do verdadeiro culto a Javé, e que apenas aí se encontra o sacerdócio legítimo. É só através desse culto que Javé abençoa e concede a vitória ao seu povo. 
14
1-14
Sobre Asa, cf. nota em 1Rs 15,9-24. Crônicas mostram que Deus é a garantia da segurança e prosperidade. Ele, nas situações difíceis, sempre se coloca ao lado dos seus, afirmando  sua grandeza diante dos inimigos.
15
1-19
Aproveitando vagas notícias de uma reforma feita pelo rei Asa (1Rs 15,11-15), o autor descreve uma cerimônia solene de renovação da Aliança, tal como acontecia nos tempos desse rei. A renovação da Aliança proporcionava coesão do povo ao redor de Javé. Este, ao mesmo tempo, protegia e fortalecia a identidade do povo diante das influências estrangeiras, que poderiam descaracterizá-lo religiosa e culturalmente. 
16
1-14
A única sombra no reinado de Asa aparece quando ele recorre à aliança política com estrangeiros. O profeta Hanani, confiante na força de um povo aliado com Javé, critica a atitude de Asa e mostra que o jogo dessas alianças políticas arrastará o país em conflitos contínuos com as grandes potências. O preço a pagar por essa busca imprudente de segurança é muitas vezes mais alto do que o preço da própria insegurança.
17
1-19
Josafá desenvolve um governo forte, procurando destruir a idolatria, fazendo respeitar a Lei e, ao mesmo tempo, fortificando o país diante dos reinos vizinhos. Os levitas, que acompanham os oficiais e sacerdotes, têm a missão de instruir o povo conforme a Lei de Javé, expressa no livro do Deuteronômio. Isso é importante para o autor, porque, depois do exílio, à identidade para a comunidade judaica (cf, Esd 7,25; Ne 8,7-8). Nessa instrução, os levitas têm papel importante. Muito provavelmente, foram eles os autores da catequese que, em meados, do séc. VIII, deu origem ao núcleo central do livro do Deuteronômio (cf, nota em Dr 18,1-8). Dessa forma, o autor reabilita a função ideológica do levitas.
18,1-19,3
Cf. nota em 1Rs 22,1-40.
19
4-11
Este livro das Crônicas atribui ao rei Josafá uma administração judiciária, prevista em Dt 17,8-13 (veja nota) e que só apareceu pelo menos um século mais tarde. O que se pretende é oferecer um modelo para a administração da justiça, acentuando uma provável notícia histórica de que Josafá tivesse feito uma reforma judiciária. Os vv. 6-10 mostram o espírito que deve estar presente no juiz. A função dele é resolver as questões a partir do projeto de Javé.
20,1-21,1
O autor aproveita a notícia de uma guerra contra Judá para veicular uma verdade de fá: Deus está com o seu povo e lhe concede a vitória, mesmo que o inimigo seja mais forte. Não se trata de alimentar confiança temerária, como se Deus estivesse ao dispor de nossos caprichos e grupais. Deus se compromete com a liberdade e a vida dos seus aliados. E, quando estes o invocam, ele se apresenta para preservar essa liberdade e vida, que concedeu como direito permanente de seus aliados. A ação de Deus, porém, não é mágica, nem deixa margem para que os aliados se iludam com suas próprias forças. A vitória é dom, e muitas vezes se manifesta através de acontecimentos inesperados (no presente texto, os inimigos se dividem e se destroem).
36
22-23
Os livros das Crônicas terminam com o anúncio de uma esperança: a volta para a terra e a reconstrução do Templo, que permitirão ao povo reconstruir sua identidade e apesar de todas as limitações, continuar a perseguir a concretização histórica do projeto de Javé. Estes versículos iguais a Esd 1,1-3, mostram que a história continua nos livros de Esdras e Neemias, formando um conjunto, que se costuma chamar “História do Cronista”.



sábado, 10 de junho de 2017

Primeiro Livro das Crônicas

1-10
Os dois livros das Crônicas procuram fazer uma síntese de toda a história de Israel, a fim de justificar e fundamentar o estilo de vida na comunidade judaica, depois do exílio na Babilônia. A primeira parte é reconstituída a partir de listas genealógicas de Adão até Davi. Para o autor, a história é uma sucessão de gerações, que transmitem a tradição.
As listas genealógicas chegam até Davi  e os sacerdotes. Davi é o ponto de partida da esperança messiânica. E os sacerdotes são chefes do culto que, fundamentado nas tradições passadas, fornece uma identidade religiosa para à comunidade judaica.
11
1-9
Davi é introduzido diretamente como único rei de um povo já unido. Seu primeiro ato é conquistar Jerusalém, que será o centro político e religioso de Israel. O v. 9 mostra que Deus abençoa o grande ideal da comunidade pós-exílica: viver como povo unido ao redor, de um só rei e tendo Jerusalém como centro da própria vida.
10-47
Davi, desde o início, tem ao seu lado todo povo, o exército e os homens de valor. Portanto, tem à mão todas as condições para exercer um governo justo, que dê solidez à identidade nacional de Israel.
12
1-23
É o tempo em que Davi vive às escondidas, perseguido por Saul. Os contingentes que chegam de todas as partes para se aliarem a Davi mostram o descontentamento geral e a busca de um novo líder. Desse modo, o autor frisa que a liderança de Davi é desejada por todo o Israel.
24-41
A reunião de todos os homens armados em Hebron representa o povo aceitando Davi como rei. O clima de festa e alegria mostra que o acontecimento é simbólico: na mente do autor, o fato de Davi ser consagrado por todo o povo mostra que Javé o confirma como rei. Doravante, o messianismo davídico se torna uma espécie de sacramento da presença e governo de Javé.
13
1-14
O primeiro ato solene de Davi como rei é reunir todo o povo para decidir democraticamente sobre a maneira como conduzir a Arca para Jerusalém, a fim de transformar a cidade em capital religiosa do povo. Esse ato de Davi mostra que a política não é em si mesma, mas somente meio de levar o povo a construir a própria vida a partir do projeto de Deus. O iniciante com Oza é explicado em 1Cr 15,11-13: ainda não existe um sacerdócio organizado para administrar convenientemente o culto.
14
1-17
Chefe de uma família numerosa. reconhecido pelos reis vizinhos e vitorioso contra os inimigos, Davi chega ao ápice de sua glória. Consultando a Deus antes de tomar uma decisão, o rei mostra que o poder político deve estar a serviço do projeto de Javé, que produz liberdade e vida para todos.
15,1-16,3
A transferência da Arca para Jerusalém é feita em clima de grande festa. E a cidade torna-se santa, que a transforma em cidade de todo o povo. O sacrifício, a bênção e a refeição marcam a comunhão íntima entre Deus e seu povo. A cidade realiza de modo verdadeiramente humano quando o povo oferece generosamente o seu esforço (sacrifício) e quando a autoridade política se coloca de fato a serviço do bem comum (bênção), dando a todos a oportunidade de partilhar igualitariamente os bens e decisões que constroem uma sociedade justa (refeição). Reassumindo esses três aspectos (sacrifício, bênção e rejeição), a Eucaristia será o sacramento da "cidade" que reúne todo o povo.
16
4-36
Apresentando trechos dos salmos 105, 96 e 106, o texto mostra uma celebração do culto pós-exílio. O centro do culto é a proclamação do Deus vivo, que age na história, libertando o seu povo, entrando em aliança com ele, protegendo-o dos inimigos e encaminhando-o para a vida. Esse mesmo Deus é o rei do seu povo, que um dia governará todas as nações, reunindo todos os homens numa sociedade justa e fraterna.
37-43
Até que o Templo seja construído, o seu culto é celebrado em dois lugares: em Jerusalém se celebra o louvor junto à Tenda: em Gabaon se oferecem os sacrifícios. O reconhecimento contínuo do Deus vivo sustenta a caminhada de um povo para construir a cidade segundo o projeto dele.
17
1-15
Cf. nota em 2Sm 7,1-17. No contexto do pós-exílio, um descendente de Davi será o Messias, que virá no futuro para restabelecer toda a grandeza de Israel.
16-27
Cf. nota em 2Sm 7,18-29.
18
1-13
Ao ser escolhido, o rei se comprometia a libertar o povo de seus inimigos. Aqui, o resumo das conquistas de Davi mostra que ele cumpriu essa primeira parte do contrato com o povo (cf. também nota em 2Sm 2,1-5).
14-17
Cf. nota em 2Sm 8,15-18.
19,1-20,3
Cf. nota em 2Sm 10,1-19. Note-se que Davi não acompanha mais o exército (20,1). O autor de Crônicas omite a narração do pecado de Davi, e o castigo que se seguiu (cf. 2Sm 11,1-12,15). Sobre 20,1-3, cf. nota em 2Sm 12,26-31.
20
4-8
Estes episódios ficariam melhor depois de 1Cr 14,8-17, onde narram as lutas contra os filisteus, durante os primeiros anos do reinado de Davi.
21,1-22,1
Cf. nota em 2Sm 24,1-25. Salientando o preço pago por Davi, o autor mostra que o lugar do Templo tem valor imenso. Segundo esse livro, o único erro de Davi transforma-se em ocasião para ele fixar o lugar de culto ao Deus verdadeiro.
22
2-19
Para o autor, é importante frisar que Davi deixou tudo preparado para a construção do Templo em Jerusalém. Desse modo, ele não só é o fundador político da nação, mas também o seu organizador religioso. Portanto, o texto deixa claro que a política não deve ocupar o lugar de Deus., mas promover e preservar a presença de Deus e seu projeto, porque é disso, em última análise, que depende a construção de uma sociedade justa e fraterna. Não se trata de construir templos riquíssimos para Deus, mas de promover a liberdade e a vida do povo. Nisso está o centro do projeto de Deus.
23,1-29,30
Segundo o autor do livro, o último ato de Davi foi convocar uma grande assembléia dos chefes de Israel para proclamar Salomão como rei. Nesse contexto, o autor apresenta um regulamento do culto (23-26), seguido pelo regulamento civil (27). Depois, vêm as instruções sobre o Templo (28) e a solene entronização de Salomão (29). Com isso, o autor procura fundamentar e confirmar a instituição religiosa que dava forma à comunidade pós-exílica. Usando e trabalhando antigas tradições, ele procura fornecer uma organização sólida para um povo que não teve possibilidade de se organizar politicamente devido às dominações estrangeiras.
23
1-32
Antes do exílio na Babilônia, os levitas foram os grandes pregadores que alimentavam a fé no Deus do êxodo e lembravam as conseqüências dessa fé (cf. livro do Deuteronômio). No pós-exílio, eles são reabsorvidos no ambiente do culto como auxiliares dos sacerdotes para questões materiais ligadas ao Templo.
24
1-31
Na verdade, antes do exílio, desde o tempo de Salomão houve atritos ente levitas e sacerdotes (cf. 1Rs 2,26-27), atritos que continuaram depois do exílio. O autor procura sanar essa divisão, a fim de que a unidade religiosa se torne possível. No presente texto, levitas e sacerdotes têm a mesma importância.
25
1-31
No pós-exílio, os cantores têm papel importante no culto, e são divididos, como os sacerdotes, em vinte e quatro turnos. O canto sacro é considerado palavra de Deus, tanto que os cantores são chamados de profetas e videntes. É nesse tempo que o saltério adquire a sua importância como livro de cantos do Templo e como parte integrante da Palavra de Deus.
26
1-32
Centro da vida judaica no pós-exílio, o Templo adquiriu uma estrutura complexa. O bom funcionamento exigia controle (guardas) e orientação (a função dos porteiros era escolher e orientar os peregrinos; cf Sl 15).
27
1-34
Para o autor, Israel deve sua organização civil e militar a Davi. Isso, porém, é apenas uma tentativa de ressaltá-lo como rei ideal.  A organização administrativa e militar, em plano nacional, foi de fato obra de Salomão (cf. 1Rs 4,7-5,8 e notas).
28
1-21
Retoma-se aqui o relato interrompido em 23,2. Recordando a profecia de Natã (cf. nota em 17,1-15  e 2Sm 7,1-17), passa-se diretamente ao tema do Templo e aos projetos para executá-lo da comunidade, sendo então dirigido pelos sacerdotes e não pela dinastia de Davi, a qual não existe mais. Desse modo, o Templo se torna a grande herança projetada por /Deus e preparada por Davi.
29
1-9
Relatando o gesto generoso de Davi, seguido pelas outras autoridades e pelo povo, o autor convida a entregar para o bem comum tudo o que cada um tem de maior valor. No pós-exílio, o bem comum era simbolizado pelo Templo, única instituição que podia preservar, nessas circunstâncias, a tradição viva e manter a identidade do povo, reunindo em torno de Javé, cujo projeto é liberdade e vida para todos. De fato, Deus quer que todos se voltem para a concretização histórica desse projeto, que implica renúncia às posses, a fim de que todos tenham o necessário para uma vida digna.
10-22
Tudo pertence a Deus. O que o homem lhe poderia dar? Apenas reconhecimento, que se extravasa em ação de graças e oferta voluntária daquilo que recebeu de Deus. Com Deus o homem aprende a dar, e de Deus recebe o que dar.
23-30
O primeiro livro das Crônicas termina com breve resumo da vida de Davi. O autor deixa claro que o livro é uma versão da história e indica as fontes que usou, entre as quais os livros de Samuel e Reis.



quinta-feira, 9 de março de 2017

Todo aquele que pede, recebe

Dia 09 de março de 2017
5ª Feira da 1ª Semana da Quaresma Ano A

1ª Leitura: Ester 4,17n.p-r.aa-bb-gg-hh

Acusado até a morte, o oprimido descobre, no seu próprio grito de dor, a mais elevada consciência a que a humanidade pode chegar: saber que deus é o supremo aliado e fonte da vida, que ele está acima de todos os sistemas humanos de poder. Na súplica está a força para resistir até o fim, criando o principio que subverte radicalmente tudo o que, sendo relativo, se apresenta como absoluto e divino.

Salmo: 137

Oração de agradecimento, celebrando a experiência do atendimento.
1-3
Não é clara a situação da qual a pessoa foi libertada. O fato de gritar, porém, parece indicar uma situação social.
4-6
A pessoa convida outras a participar da ação de graças. O convite aos reis tem algo de aviso: também eles devem reconhecer que Deus é transcedente, mas está sempre presente, para distinguir entre justos e injustos.
7-8
A experiência passada é agora aplicada a novas situações, onde Deus sempre se manifesta como libertador.

Evangelho: Mateus 7, 7-12

A oração é a expressão da nossa relação com Deus como único absoluto (cf. Mt 6,5-7). Aqui se abre uma nova perspectiva: essa relação deve ser de confiança e intimidade como a de um filho para com o seu pai.
12
No tempo de Jesus, "Lei e Profetas" indicava todo o Antigo Testamento. Esta "regra de ouro" convida-nos a ter para com os outros a mesma preocupação que temos espontaneamente para com nós mesmos. Não se trata de visão calculista - dar para receber - , mas de uma compreensão do que seja o amor do Pai. 


Edinólia Oliveira

Como saber que a nossa oração será ouvida? Pedimos a Deus tudo  o que desejamos? Deus é tudo, é nosso criador, e nos ama. Somos íntimos de nosso Pai por sermos parte de sua maravilhosa criação. Seremos íntimos de Deus quando reconhecemos que ele está acima de todas as coisa e agimos com humildade na oração. Mesmo quando estamos agitados e preocupados com o trabalho e relacionamento podemos orar e falar com Deus. Pedinos a Deus sabedoria para conduzir nossa vida sem fazer mal a natureza e a nossos semelhantes. É assim que seremos ouvidos. Mas tenhamos cuidado com o que pedirmos, pois, nosso criador conhece o nosso coração muito mais que a nós mesmos. Ele nos conduz a vivermos em comunhão. Quando vivemos isolados e no egoísmos, passamos a ter na nossa frente um abismo diante de Deus. Porque Deus sempre está a nossa frente. Cuidado com esse abismo, cuidado com o que desejamos. 

Amem!!!

Ester

4
17a-17i
Acusado até a morte, o oprimido descobre, no seu próprio grito de dor, a mais elevada consciência a que a humanidade pode chegar: saber que deus é o supremo aliado e fonte da vida, que ele está acima de todos os sistemas humanos de poder. Na súplica está a força para resistir até o fim, criando o principio que subverte radicalmente tudo o que, sendo relativo, se apresenta como absoluto e divino.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Jesus é o sinal para conversão

Dia 08 de março de 2017
4ª Feira da 1ª Semana da quaresma Ano A

1ª Leitura:Jonas 3,1-10

Uma nova ordem de Deus, e dessa vez Jonas obedece. Nínive é o símbolo do mundo pagão; por isso, é apresentada com dimensões incrivelmente vastas. O profeta ainda não mudou de idéia sobre os pagãos: sua pregação só apresenta ameaças. Todavia, vemos em Nínive aquilo que nenhum profeta conseguiu em Israel: os pagãos se arrependem e se convertem, participando da penitência inclusive os animais. Como é que Deus poderia negar o perdão a essa gente mais sensata que o povo de Israel?

Salmo: 50

Súplica penitencial, com reconhecimento do pecado e com pedido de perdão. É a segunda parte da cerimônia iniciada com o salmo 50: frente à acusação feita por Deus, só resta ao homem confessar o próprio pecado.
3-11- Retrato do pecador. Obsecado pesa culpa o pecador descobre que o pecado é sempre, e em primeiro lugar, uma ofensa contra Deus, o parceiro da Aliança. Assim, confessar o pecado, significa, ao mesmo tempo, absorver Deus como inocente, libertando-o de qualquer cumplicidade. Reconhecendo a solidariedade dele, o pecador começa a ressuscitar,pedindo perdão:  “purifica-me”, “lava-me”, “devolve-me a alegria”.
12-15- No arrependimento começa o reino da graça. O perdão é nova criação, que dá ao homem um espírito firme, santo e generoso. Resultado disso é a missão: o pecador perdoado trona-se missionário que ensina aos outros o caminho da volta para Deus.
16-19- Castigo do pecado é a morte (sangue). Alusão talvez a um crime que merecia a pena capital. Perdoado, o homem pode louvar a Deus, reconhecendo-lhe a misericórdia (cf. salmo 32 e 103). Os VV. 18-19 retomam o tema do salmo 50,14.23: Deus quer o sacrifício da confissão, para que o homem se liberte do pecado,  e o próprio Deus fique isento de qualquer cumplicidade.
20-21: Claro acréscimo feito depois do exílio. No espírito do salmo, os exilados primeiro deverão converter-se, confessando a própria infidelidade ao projeto de Deus. Depois, Deus aceitará novamente as cerimônias cultuais.

Evangelho: Lucas 11,29-32

Não é um sinal maravilhoso que leva os homens à conversão, e sim a adesão ao projeto da nova história, manifestado na palavra de Jesus.

Edinólia Oliveira

Os ensinamentos de Jesus Cristo é o maravilhoso sinal de conversão e felicidade plena. Porque muito seres humanos não aceitam? Jesus é maior que tudo. Deus se manifesta através das palavras de Jesus. Jesus é a Palavra de Deus encarnada. Jesus é o sinal para a conversão, e é escolha nossa aceitar e agir como Jesus, realizando o projeto de Deus. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Rezar, orar. (Oração - Orar + ação)

Dia 07 de março de 2017
Terça-feira da 1ª Semana da Quaresma  Ano A

1ª Leitura: Isaías 55,10-11

Javé tem um projeto de verdadeira realização para a história: liberdade e vida para todos. Esse projeto é revelado aos homens através da Palavra que, gerando acontecimentos, concretiza o projeto de Deus. A sabedoria do homem consiste em procurar Javé, isto é, converte-se para ele, ouvir a sua palavra e tornar-se aliado seu na luta em prol da liberdade e vida para todos.

Salmo: 33

Oração de Agradecimento
2-4
O agradecimento é feito no meio da comunidade dos pobres.
5-8
O salmista é um pobre que, em meio a uma situação difícil, fez a experiência da solidariedade de Deus e foi liberto.
9-11
Convite para a comunidade dos pobres se comprometer com o projeto de Deus, de onde brotou a justiça. Este inverte a forma de sociedade e o rumo da história.
12-23
Grande catequese centrada no temor de Javé. Trata-se de reconhecer que Deus é Deus e que o homem não é Deus. Em seguida, é preciso empenhar a própria vida na luta pela verdade e justiça, para que todos possam viver dignamente. Essa é a luta que constrói a paz. Nessa luta Javé toma o partido dos justos, ouvindo o seu clamor libertando-os e protegendo-os. Por outro lado, Javé se posiciona contra os injustos, que são destruídos pelo próprio mal que produzem.

Evangelho: Mateus 6, 7-15

Mateus aproveitou o tema da oração para inserir aqui o Pai-nosso (cf. Lc 211,1-4), contrapondo a oração cristã à oração dos fariseus e dos pagãos. O pai-nosso mostra a simplicidade e  intimidade do homem com Deus. Na primeira parte, pede-se que Deus manifeste o seu projeto de salvação; na segunda, pede-se o essencial para que o homem possa viver segundo o projeto de Deus: pão para o sustento, bom relacionamento com os irmãos e perseverança até o fim.

Edinólia Oliveira

Deus sabe tudo que nós precisamos e proporciona a terra para que sejamos responsáveis para cuidar dela com muito carinho e amor... Plantanto árvores e evitando o desmatamento para possamos ter água em abundância e o nosso clima seja bom de respirar. Como podemos ter tudo que pedimos na oração? Fazendo tudo de bom para as pessoas que desejamos para nós mesmos. Desejamos ser perdoados. Então, devemos perdoar. Desejamos ser amados, então, devemos amar. Desejamos comer então, devemos trabalhar e não ser fardo pesado para ninguém. Devemos ser solidários e fazer a vontade de Deus. Se não o fizermos a vontade de Deus estamos almejando e atraindo o nosso próprio mal. Sejamos pois responsáveis com a vida de nosso planeta e a vida das pessoas. A colheita será para beneficiar a todos.

amém,

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quem são os menores das criaturas humanas?

Dia 06 de março de 2017
Segunda Feira da Primeira Semana da Quaresma Ano A

Primeira Leitura: Levítico 19,1-2.11-18

Javé, o Deus que fez Aliança com o povo, exige, nessa união, que o povo seja santo, assim como ele próprio é santo. Tal santidade se caracteriza pela prática da justiça libertadora, para produzir um relacionamento comunitário que concretize o projeto de Deus. A norma fundamental é o amor ao próximo (vv. 17-19), incluindo o imigrante (vv. 33-34). As outras normas repetem e comentam os princípios básicos da nova sociedade, já exposto no Decálogo: não ter outros deuses, não manipular Deus, honrar pai e mãe, guardar o descanso semanal, não roubar, não levantar falso testemunho (cf. Ex 20,1-17 e notas), Note-se, ainda, a insistência em defender o pobre e o fraco (vv. 9-10.14). Podemos notar que este capítulo é um verdadeiro tratado de espiritualidade, que ensina o povo a trilhar o caminho da santidade.

Salmo: 18

Hino de louvor, em estilo sapiencial, enaltecendo a glória de Deus, que criou a ordem da natureza  do mundo humano.
2-7
A ordem e beleza do universo são como silencioso e contínuo louvor ao Criador. O homem humaniza a natureza, articulando esse louvor com suas próprias palavras.
8-11
A harmonia do mundo humano é criada pela palavra de Deus. Esta, como lei ou instrução, ensina a humanidade a viver na fraternidade e na justiça.
12-15
A harmonia criada por Deus pode ser perturbada ou destruída pelo orgulho, que gera todo tipo de erros e crimes. Essa harmonia da criação é convite para que o homem se converta e se torne íntegro.

Evangelho: Mateus 25,31-46

Esta é a única cena dos Evangelhos que mostra qual será o conteúdo do juízo final. Os homens vão ser julgados pela fé que tiveram em Jesus. Fé que significa reconhecimento e compromisso com a pessoa concreta de Jesus. Porém, onde está Jesus? Está identificado com os pobres e oprimidos, marginalizados por uma sociedade baseada na riqueza e no poder. Por isso, o julgamento será sobre a realização ou não de uma prática de justiça em favor da libertação dos pobres e oprimidos. Esta é a prática central da fé, desde o início apresentado por Mateus como o cerne de toda atividade de Jesus: “cumprir toda justiça” (3,15). É a condição para participar da vida do Reino.

Edinólia Oliveira

Jesus em vida terrena (Deus como um de nós) mostrou, demonstrou o amor pelos pobres e os Evangelhos é a prova desse amor. Jesus quer a igualdade social. Deus nos vê como um só coração. A criatura humana que na vida terrena é mais inteligente e tem mais dinheiro que outras, muitos acham que foi Deus que deu. Que foi o dom de Deus. E os pobres e marginalizados e refugiados é o que? Muitos acham que é o destino. Os pobres são os menores, mas são maioria e não tem força por serem pobres e sem muita esperteza. Então, Deus como Jesus se compadece dos pobres e diz que só alcançará a vida eterna de amparar um desses pequenos. Muito simples né? Mas porque os pobres são maioria, se é tão simples ajuda-los? Porque tanta desigualdade social? Porque o Presidente da República precisa de um palácio com o dinheiro público e tantos pobres vivem em barracos? Porque eles perdem muito tempo discutindo na TV quem é corrupto e rouba o dinheiro público? Porque? Por causa desses cabritos malditos. Mas Jesus é a esperança.. Jesus é a Eterna esperança para as menores criaturas humanas.

Deus seja louvado!