quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Isaías

5
1-7
O dono da vinha fez de tudo para que ela produzisse uvas boas; como ela produziu só uvas azedas, seu dono abandonou-a. Javé fez de tudo para que seu povo vivesse o direito e a justiça; mas o povo só produziu violação do direito e injustiça. O cerne do cântico é o v. 3: o próprio povo é que deve julgar a situação e dar a sentença.

6
1-13
O relato da vocação de Isaías mostra que o âmago de toda e qualquer vocação profética está no experimentar a transcedência e a santidade de Javé. Só a partir dessa experiência é que alguém pode reconhecer a própria relatividade (“estou perdido”) e desvendar as ideologias que se tornaram absolutas. Assim, a segurança com que o profeta se sente porta-voz de Deus provém do reconhecimento de que Javé é o único Absoluto: então ele fica sabendo com certeza que é falso e mentiroso qualquer sistema, instituição ou ideologia que se apresentem como absolutos. Dessa maneira, a crítica e o julgamento que o profeta lança são investidos na autoridade divina.
7
1-17
O Reino do Norte (Efraim), cujo rei era Facéia, se aliou a Rason, rei de Aram, numa tentativa de se libertar do perigo assírio. Como o reino do Sul (Judá) não participou da coalizão entre o reino do Norte e Aram, estes dois temeram que Judá se tornasse aliado da Assíria; resolveram então  atacar o reino do Sul, para destronar o rei Acaz e colocar no seu lugar o filho de Tabeel, rei de Tiro. Acaz teme o cerco e verificas a reserva de água da cidade. Isaías vai ao seu encontro e tranquiliza, mostrando que não haverá perigo, pois continua válida a promessa de que a dinastia de Davi será perene, desde que se coloque total confiança em Javé. O sinal prometido a Acaz é o seu próprio filho, do qual a rainha (a jovem) está grávida. Esse menino  que está para nascer é o sinal de que Deus permanece no meio do seu povo (Emanuel = Deus conosco). Mt 1,23 vê na jovem a figura da Virgem Maria, e no filho, a pessoa de Jesus.
11
1-9
Isaías projeta para o reinado de Ezequias o ideal utópico de uma sociedade que chegou a realização plena (cf. 6,13; 7,14 e nota em 8,23b-9,6). Esse reinado se fundará no total espírito de Javé (sete dons) que fará surgir uma sociedade alicerçada na justiça, produzindo paz e harmonia. O Novo Testamento vê o cumprimento do oráculo da pessoa de Jesus (cf. Mt 3,16): é a partir da ação dele que se constrói o mundo novo, onde todas as coisas se reconciliam (Ef 1,10; Cl 1,20).
12
1-6
O livrinho do Emanuel se encerra com duplo canto de ação de graças, celebrando a ação salvadora de Javé, na qual se baseia a esperança e confiança do povo.
25
6-12
A última palavra de Deus sobre a história não é o julgamento, mas a comunhão universal de todos entre si e com o próprio Deus (cf. 2Pd 1,4; Ap 21,1-22,5). Um redator acrescentou os vv. 10-12, tomando Moab como símbolo daqueles que estarão excluídos dessa grande comunhão, porque se negou a participar do projeto de Deus.
35
1-10
O contraste entre este capítulo e o anterior é evidente: enquanto as potências dominadores são arrasadas, ao povo de Deus se reservam libertação, alegria e vida em abundância.
40
1-11
Em pleno exílio, o profeta entrevê a alegria de Jerusalém ao saber que os exilados estão voltando. Terminou o tempo da escravidão e começa o novo êxodo. Javé caminha junto com seu povo na ternura de um pastor que cuida do rebanho. É do fundo triste de uma escravidão sofrida que brota a esperança alegre e libertadora (cf. Ex 3,7-9). Os evangelhos sinóticos citam o texto para falar  da libertação definitiva trazida por Jesus Cristo. (cf. Mt 3,3; Mc 1,3; Lc 3,4)
42
1-9
É o primeiro “cântico do Servo de Javé”. Quem é esse Servo? De início, provavelmente, uma pessoa, depois essa pessoa foi tomada como figuram coletiva, sendo aplicada a todo o povo pobre e fiel. O Servo é a grande novidade que Javé prepara: o missionário escolhido que, graças ao Espírito de Javé, recebe a missão de fazer que surja uma sociedade conforme a justiça e o direito. Ele não submeterá os fracos ao seu domínio, mas o seu agir acabará produzindo uma transformação radical: os cegos enxergarão e os presos serão libertos. Os evangelhos aplicam a Jesus a figura do Servo (cf. Mt 3,17 e paralelos; 12,17-21; 17,5).
43
14-21
Em comparação com o êxodo do Egito, a nova libertação é um acontecimento bem mais grandioso: os exilados voltarão para a pátria por uma estrada no deserto transformado em oásis. O povo liberto será testemunha da ação de javé na história.
45
1-7
Javé, o Senhor da história, é quem dirige as nações e acontecimentos para dar liberdade e vida ao povo que a ele se aliou. Para realizar o seu projeto, Javé se serve da história dos povos, chegando mesmo a tomar um rei pagão para revesti-lo com a função de messias  (ungido), própria dos reis de Israel. O Deus vivo não está confinado a um templo, nem a uma instituição, nem a determinada estrutura de religião o lugar eminente de seu agir é a história e a vida. O v. 7 salienta que Javé criou todas as coisas, e sabemos, pela Bíblia, que toda criação é boa (cf. Gn 1, 4.10.12 etc. Eclo 39, 12-35). A distinção entre o bem e o mal começa a partir do posicionamento que o homem toma diante do projeto de Deus.


50
4-11
É o terceiro “cântico do Servo Javé” (cf. notas em 42,1-9; 49, 1-9ª). A missão do Servo é, aqui, apresentada como encorajamento aos fracos e abatidos . Para isso, não resiste ao que javé lhe pede ou não recua diante das dificuldades  e ataques de adversários. Quem o acusará? Se o seu advogado é o próprio Deus? Os adversários serão apanhados na mesma armadilha que lhe tinha preparado (v. 11). Tal foi a atitude de Jesus, e é a característica fundamental de seus seguidores.
52.13-53,12
É o quarto “cântico do Servo de Javé” (cf. notas em 42,1-9; 49,1-9ª; 50,4-9). Descreve-se, agora, a paixão do Servo: ele é justo e inocente, mas sofre as consequências de uma estrutura injusta da sociedade onde vive, e por isso morre esmagado sob o peso dos erros de todos. Contudo, é através do seu aparente fracasso que o projeto de Deus vai triunfar: o Servo é glorificado e traz a salvação para todos. Ao narrar a paixão de Jesus, os Evangelhos praticamente retomam este quarto cântico em todos os detalhes: na sua vida e morte, Jesus se identificou completamente com o povo pobre que, em todos os tempos e lugares, é vítima da injustiça e exploração, da opressão e esquecimento.

55
1-5
Numa cidade dominada pelo ídolo dinheiro, o povo gasta tudo o que tem e acaba na sede e fome. O profeta o convida a uma nova aliança com Deus que coloca a vida humana como supremo valor, transformando todas as relações sociais e assegurando a todos alimento e dignidade. A realização desse projeto atrairá os povos, porque verão que esse é o verdadeiro projeto para a vida.
6-11
Javé tem um projeto de verdadeira realização para a história: liberdade e vida para todos. Esse projeto é revelado aos homens através da Palavra que, gerando acontecimentos, concretiza o projeto de Deus. A sabedoria do homem consiste em procurar Javé, isto é, converte-se para ele, ouvir a sua palavra e tornar-se aliado seu na luta em prol da liberdade e vida para todos.
56
1-8
O exílio mostrou que Javé não está ligado exclusivamente a uma terra e nação. Doravante o povo de Deus está aberto  aos pagãos, desde que aceitem a viver segundo a justiça e o direito. Essa abertura ultrapassa as restrições previstas pela Lei e começa a quebrar um nacionalismo fechado.
58
1-12
Procurar a Deus é praticar o direito e a justiça: essa procura pode ser mascarada por atos que parecem mostrar disponibilidade em realizar o projeto de Deus; e qualquer prática de piedade pode esconder um não compromisso com a vontade de Deus. Ao contrário, a sinceridade se revela através da solidariedade com os oprimidos e da participação afetiva num  processo de libertação. Só assim estaremos procurando a Deus, receberemos dele uma resposta benévola e seremos co-agentes deste seu projeto: a construção de uma sociedade fundada no direito e na justiça.
60
1-22
Cântico que manifesta a esperança da total restauração de Jerusalém. Javé habita a cidade santa e, de todos os lados, vêm os judeus dispersos, os mercadores e os povos; o Templo é reconstruído, reina a paz, e a glória de Javé irradia-se por todo o universo. Cf. Ap 21,9-22,5.
61
1-11
O profeta é enviado para  proclamar a Boa Notícia da libertação (VV. 1-3ª), e os destinatários são os pobres (v.1), porque estão abertos à fraternidade e à partilha. Para que a libertação se torne realidade, deverá acontecer no país uma restauração, que se abre para o futuro. Dentro do país, terá que triunfar a justiça nas relações entre os cidadãos; fora, terão que acessar as injustiças e opressões contra o país. A condição para acabar com as opressões externas é abolir as explorações que existem dentro do país; para isso, é preciso reconstruir a cidade e reestruturar o campo, através de uma nova política agrícola e pastoril. Não basta está na terra; é preciso possuí-la. Após sair da escravidão, é preciso caminhar para a libertação e dar-lhe consistência, restaurando o país dilapidado. Os estrangeiros já não irão explorar , participarão da partilha, através do trabalho (VV. 4-5). Dessa maneira, o povo será sacerdote ou ministro de Deus (v. 6), isto é, será oficiante de um culto que agrada a Javé (cf. cap. 58). Se há injustiça no país, exige-se conversão; se a injustiça vem de fora por não de outros, deverão ser enfrentados. Direito e justiça são o fiel da balança (v. 8b); através deles haverá alegria (v. 7), fidelidade a Deus (Aliança, v. 8b), bênção e reconhecimento das nações (v. 9): é o ano da graça de Javé.
62
1-12
A libertação do país (Jerusalém e terra), como se requer no capítulo anterior para a construção da justiça, é dom de Javé, o parceiro (noivo) da Aliança (vv. 1-5). As sentinelas da cidade relembram essa fidelidade e gritam continuamente para o noivo (Javé) venha logo desposar a noiva  (Jerusalém) e traga consigo o dote (VV. 6-7): o grande presente de Deus para um país abençoado dos frutos do trabalho através da partilha (v.8). A espoliação não deve ser substituída por outro tipo de opressão. Para que isso não aconteça, é necessário reconhecer que o dono da terra é Deus; esse reconhecimento explode em louvor. A economia sai do seu círculo vicioso e não se torna “camisa de força”, mas gratuidade. É o presente do noivo para a noiva. Todos os povos são convidados a participar desse tipo de economia que exprime a gratuidade de Deus. Para um país viver na abundância, da qual todos possam participar, não é preciso espoliar outros países; ao contrário, os outros são convidados a fazer a mesma coisa: o banquete universal das núpcias de Deus com o seu povo (VV. 10-12).
63, 7-64,11
Trata-se de uma súplica em quatro partes: meditação histórica (63,7-14); invocação a Deus Pai (63,15-19a ); pedido por uma manifestação de Deus (63, 19b-64, 4a ); confissão do pecado (64, 4b-11). Este salmo data provavelmente dos início dos exílio: diante do sofrimento, o povo relembra o passado com suas horas tristes e seus momentos de esperança, e dirige sua súplica a Deus, Pai e protetor de Israel, único que pode libertar seu filho da miséria. Para o povo, a libertação de uma questão de honra para Javé: que ele perdoe os filhos humilhados e lhes reavive a esperança.

66
5-24
Os exilados voltaram para a sua terra e as promessas ainda não se cumpriram. A comunidade se encontra em decadência, porém, os mais fiéis permanecem confiantes. O profeta confirma a esperança deles com a visão de um povo novo, que nasce de Jerusalém. A salvação e a paz vão chegar, pois Javé julga o mundo. De todos os cantos da terra os povos vêm para se reunir com Israel na adoração ao Deus vivo.



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