segunda-feira, 30 de julho de 2012

A Igreja, povo de Deus - Lumen Gentium

INICIANDO A CONVERSA


*Escrever em uma cartolina ou outro material mais duro a frase: IGREJA, POVO DE DEUS.
*Recortá-la como se fosse um quebra-cabeça, em pedaços em número igual ao de participantes.
*Espalhá-los pelo chão.
*Ao som de uma música cada participante retira um cartão (pedaço do quebra-cabeça).
*Juntos tentam montar o quebra-cabeça.
*Formada a frase, conversar sobre o seu significado.
*Completar com a leitura comentada do texto.

Quem é a Igreja?

Ser Igreja é identificar-se como povo de Deus que caminha e anuncia Jesus Cristo, como Senhor e Salvador, a toda a humanidade. É ser sinal, sacramento de sua presença no mundo e para o mundo, é ser “luz para os povos”, como aponta este documento do Concílio Vaticano II sobre quem é a Igreja e qual é a sua missão.
Ao ser batizada, a pessoa torna-se membro do povo de Deus e, portanto, da igreja: assim, está pronta a dar testemunho público da sua fé em Cristo, porque participa do sacerdócio comum de Jesus, ou seja procura oferecer-se como hóstia viva, santa e agradável a Deus (cf. Rm 12,1), recebendo os sacramentos, tendo uma vida de santidade, sempre rezando e praticando a caridade para com os seus semelhantes, mesmo que estes professem uma fé diferente da sua.

A organização da igreja

Em geral. As coisas vão bem quando estão organizadas. Com a Igreja, isso também acontece, porque ela se organiza em ministérios a fim de atender melhor às necessidades da organização. Cristo formou o grupo dos doze apóstolos para darem prosseguimento à sua missão. Hoje, a Igreja tem os bispos, que pastoreiam, junto com os padres, o povo presente em uma diocese. O bispo é chamado a ser elo de comunhão com a Igreja de Cristo, espalhada por toda a terra. Além disso, sua missão é ensinar a verdade da fé, santificar o povo, pela celebração dos sacramentos, e governar, conduzir bem os padres e o povo, pela celebração dos sacramentos, e governar, conduzir bem os padres e o povo, por meio do serviço de pastor.

Como cooperadores mais próximos do bispo estão o padre e o diácono. Homens que se consagram para servir o povo nas coisas que se referem a Deus. Presidem os sacramentos, pregam a Palavra, servem pela caridade aos seus irmãos e irmãs.

Há cristãos e cristãs que se consagram para testemunhar Jesus Cristo de maneira especial no mundo: os religiosos. Pelos votos de obediência, castidade e pobreza eles dedicam-se inteira e integralmente, com uma espiritualidade própria, ao serviço desprendido e ao mesmo tempo, comprometido com os necessitados.

As leigas e os leigos são os batizados e por isso compõem o povo de Deus e dão testemunho da fé em Jesus Cristo, como fermento no mundo, para santificá-lo, vivendo a esperança e praticando a caridade. Mulheres e homens, solteiros ou casados, que vivem a fé na comunidade e se ocupam dos trabalhos nas pastorais, movimentos e ministérios; vale ressaltar aqui os catequistas, que cuidam carinhosamente da formação cristã de crianças, jovens e adultos. A Lumen Gentium afirma no número 38: “numa palavra, o que a alma é no corpo, os cristãos o sejam no mundo”.

Todos são chamados a ser santos na Igreja.

“Sejam perfeitos como vosso pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Este convite de Jesus estende-se a todos os que lhe pertencem na Igreja, sem exclusão de ninguém. É apelo é apelo que nos compromete a testemunhá-lo em qualquer condição de vida em que nos encontramos: casados ou solteiros, padres, leigos, freiras, bispos, papa... Todos busquemos a santidade nesta vida pela prática do bem e do amor sem limites, pois seguimos Jesus e procuramos fazer o que ele fez para, com ele, alcançar a vida feliz no reino que esperamos.

Alegres, como o povo de Deus que caminhava rumo à sua libertação, também nós, Igreja de Cristo, caminhamos na esperança para que livres do pecado, do mal e da morte, cheguemos à glória do reino pregado por Jesus, no qual, em comunhão com todos os que o amaram sinceramente e já estão junto do Senhor, nós o louvemos e glorifiquemos, porque “no seu reino ninguém mais vai sofrer, ninguém mais vai chorar, ninguém mais vai ficar triste” (Oração Eucarística para Crianças III).

PARA REFLETIR:
1.O que mais chamou a atenção neste texto?
2.Como ajudar os catequizandos a se entender como parte do povo de Deus?
3.Cantar: “Celebremos com alegria no nosso encontro”.

“Deus convocou a assembléia dos que vêem em Jesus, com fé, o a autor da salvação e princípio da unidade e da paz, e com eles construiu a Igreja, a fim de que ela seja, para todos e para cada um, o sacramento visível da unidade salvadora. A Igreja, devendo-se estender a todas as regiões, entra na história dos homens, porém ao mesmo tempo transcende o tempo e os confins dos povos. E ao caminhar por entre as tentações e as provas, ela é fortalecida pelo conforto da graça de Deus, que o Senhor lhe prometera, para que, na fraqueza da carne, não se afaste da fidelidade perfeita, mas se conserve sempre como esposa digna do seu Senhor e nunca deixe de renovar-se pela ação do Espírito Santo, até que, pela cruz, atinja aquela luz que não conhece fim” (LG 9).


Pe. Leandro Edevaldo dos Santos
FORMAÇÃO TEOLÓGICA-DOUTRINAL
O catequista APROFUNDA A FÉ
Revista ECOando Formação Interativa com Catequistas – Ano X – nº 38

domingo, 27 de maio de 2012

INTEGRAÇÃO SISTEMÁTICA DA VIDA

          O ser exterior é uma pequena projeção da grandeza do ser interior.


          Quando olhamos para os diversos recipientes, sempre é água com a mesma composição. A água pode se apresentar como chuva, fonte, rio, mar, nuvens, cisterna, torneira, gota, pingo, limpa ou suja. Assim também é a vida humana.
          Criado à imagem e semelhança de Deus, todo ser humano traz em si a mesma vida divina, ainda que sua manifestação varie conforme cada situação.
          Assim, a vida é uma só. Entender a manifestação da vida em cada ser e em nós é a arte e a beleza de perceber a força que habita dentro de cada pessoa.
          Cada pessoa, cada vida, acabam sendo manifestação e revelação de Deus.
          Assim como não vemos “a” vida, mas a sentimos e experimentamos em todo ser vivo, assim também não vemos Deus, mas sabemos que ela se manifesta em cada criatura, especialmente em cada pessoa humana, mesmo aquelas que não apreciamos muito. Mas reconhecer a vida de Deus em outro ser humano de que meus sentimentos podem não gostar seria um absurdo, por isso temos a tendência (e a tentação) de achar que Deus está sempre distante, lá longe de nós, nas alturas! Nunca vemos Deus, como também nunca vemos a vida, mas somente a manifestação da vida no corpo, nas emoções, nos comportamentos e gestos das pessoas. Isso quando nossos olhos estiverem fechados, ou nosso coração engessado por dores e sofrimentos emocionais.
          Jesus na sua simplicidade e sabedoria, revelava Deus nas coisas mais simples: nas crianças, nas flores, no mendigo, nas mulheres rejeitadas. Ele é o próprio Deus entre os homens! “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 12,45). Buscava integrar tudo o que não tinha vida na vida, buscava integrar na vida da sociedade, da cidade, da comunidade o que estava fora do sistema vida. Se uma parte do corpo estava doente, ele curava e o corpo voltava a manifestar a vida, pois, onde existe vida, ali existe Deus.
          Emocionalmente temos a tendência de rejeitar, de não aceitar partes de nós mesmos ou das pessoas ao nosso redor. Traria muita dor aceitar nossos medos, vergonhas e mentiras! Preferimos esconder, camuflar, colocar tudo no mais profundo do borrão de nossa alma. Ali tais situações ficam escondidas e ninguém as conhece, a não ser nós mesmos. É um truque do nosso inconsciente, para nos poupar do sofrimento! Mas tudo que é sufocado, escondido, abandonado gera mal-estar, mofo, doença e morte. Tudo o que é negado pode ser ausência de Deus. A proposta bíblica e profética é a integração: Acolher o que foi abandonado, integrar o que foi rejeitado, curar o que foi ferido, dar vida ao que foi morto.
          Este ainda é o maior desafio nas relações interpessoais. Anulamos e matamos a nós mesmos, nossos potenciais, nossa força interior, nossa fonte de vida, o tesouro de Deus que habita na nossa vida. Bem como negamos a beleza da vida que habita nas relações interpessoais. Preferimos anular, distanciar, rejeitar, para não mudar de mentalidade. É mais fácil negar, ser cego, rejeitar do que acolher, integrar, ver e viver. Parece que a morte tenta falar mais alta nas relações humanas.
          Integração sistêmica da vida é a grande capacidade de evoluir na nossa mentalidade intelectual; é a capacidade de transceder os limites e fronteiras mentais e começar a perceber e a integrar tudo o que gera morte, tudo o que gera conflito, tudo o que separa. É criar a capacidade de integrar, ampliar, crescer.
          O que seria do rio sem a fonte, o que seria do mar sem a chuva, o que seria dos pais sem os filhos, o que seria dos homens sem as mulheres, o que seria do futuro sem o passado? O que seria das pessoas sem a vida de Deus? Mas, como Deus é vida, e somos seres viventes, temos Deus e acolhemos Deus onde existe um ser vivente.



quinta-feira, 29 de março de 2012

PROFETISMO

Definição de profetismo


O dicionário assim define profetismo: “Doutrina que tem por base as profecias”.

Profeta é palavra originária do grego que significa “aquele que proclama”. Proclamar tem sempre uma conotação religiosa, e profeta é entendido como porta-voz da divindade diante do povo. Contudo, o prefixo “pro”, em grego um advérbio de tempo, tem o significado de “antes”, “de antemão”. Sendo assim, compreende-se que profeta é aquele que prediz. Porém, se analisarmos os escritos mais antigos, o verbo profetizar nunca aparece no futuro. O significado desse verbo é “proclamar abertamente”, “declarar publicamente”, “proclamar em alta voz”.

O profetismo e sua evolução

Inicialmente, o profetismo não surge ligado ao poder, a uma instituição, ou a serviço de um sistema político. Surge independente, mais ao lado da poesia, da inspiração, do transe, da música, do sonho, da visão, da beleza, do popular, da arte, da intuição, da religião, da divindade, da oração e da mística. Estas palavras nos levam a perceber e captar a realidade e a forma de reagir diante do profetismo. Certo estudioso afirma que profetas ou profetisas são pessoas que têm os pés fincados na realidade, mas os olhos, os ouvidos e o coração em sintonia com seu povo e com Deus.

Em quase todos os povos antigos e também no povo da Bíblia havia esses grupos de artistas, cantores ou poetas, grupo populares misturados com a religião, chamados profetas ou videntes, que eram consultados para resolver problemas da vida do povo mediante consulta à divindade (cf ISm 10,10; 19,20-24). Hoje, sabemos que nosso povo também recorre a pessoas consideradas carismáticas, como as benzedeiras, beatos, mães e pais de santo, para resolver alguma situação ligada à vida.

Os governantes e reis do povo de Israel sempre recorriam a um profeta, pois acreditavam que ele daria legitimidade ao exercício do poder. O apoio de um profeta significava o apoio da divindade e a garantia de obediência por parte dos súditos.

Sabemos que houve profetas que deixaram escritos e outros que também falaram em nome de Deus, mas não deixaram seus oráculos registrados.

O movimento profético

Considerando o que a Bíblia chama de “profetas”, podemos afirmar que são pessoas que se articularam em várias épocas da história, num movimento único chamado movimento profético.

Olhando para a história de Israel, percebemos que, em época de crescimento urbano e de crise social, surgiram grupos que se denominavam “irmãos profetas” ou “filhos de profetas” (cf. ISm 19,20; 2Rs 2,3). Profetas e cidades nunca se deram bem, uma vez que o povo de Israel vivia em comunidades rurais. Devido ao crescimento das, surgiam problemas sociais e econômicos resultante do intenso comércio das terras e da ampliação de latifúndios. Os camponeses deixavam suas terras e iam para as terras dos santuários ou formavam grupos de assaltantes (cf. ISm 22,1-5). Os camponeses que ocupavam as terras dos santuários formavam as confrarias chamadas de “irmãos profetas” ou “filhos de profetas/discípulos de profetas”. Samuel (séc. XI a.C.) liderava essas confrarias (cf. ISm 9,11; 19,18-24). Muitas comunidades de profetas se formaram em torno de Samuel, de Elias (cf. 2Rs 2,1-7) e Elizeu (cf. 2Rs 4). Buscavam o contato com a divindade por meio o êxtase, de cantos e danças (cf. ISm 10,5; 19,18; 2Rs 3,15) e atuavam como curandeiros, transmitiam oráculos de Deus, eram conselheiros populares, milagreiros, mas também causadores de instabilidade política (cf. 2Rs 9,1-3). Viviam como agricultores e pastores, porém se reuniam para “sessões”, proféticas com seu mestre na escola dos profetas (cf. 2Rs 4, 38-41; 6, 1-7).

Marlene Maria Silva
 
Revista ECOANDO - Formação Interativa com Catequistas - Ano X - nº 37.

quinta-feira, 15 de março de 2012

JUÍZO FINAL

Luis Fernando teve a oportunidade de viajar para a Itália. Em Roma, visitou os museus do Vaticano e pôde contemplar as belíssimas pinturas da Capela Sistina, entre as quais se encontra o maravilhoso afresco do juízo universal, feito por Michelangelo. Impressionado por tanta beleza, Luís Fernando não se esqueceu da verdade de fé ali esboçada com tanto talento: um dia, Jesus voltará para julgar os vivos e os mortos!


Quando contemplamos atentamente a cena do juízo final pintada na Capela Sistina, vemos retratado o trecho de Evangelho de Mateus 25,31-46, em que se anuncia o retorno de Jesus Cristo para julgar a humanidade e separar os que viveram no amor cristão daqueles que o desprezaram. Os primeiros receberão em prêmio a vida eterna junto de Cristo e os outros serão condenados à morte eterna.

Nessa pintura de Michelangelo, um detalhe importante salta aos nossos olhos: Jesus Cristo, ressuscitado e glorioso, encontra-se no centro de todo o afresco. O autor quis evidenciar esta realidade: Jesus Cristo é o centro de toda criação e de toda a história humana. Em sua pessoa, todo o universo e a humanidade adquirem seu sentido pleno. Nele, Deus Pai reconciliou consigo todos os homens de todos os tempos. E, por isso mesmo, Jesus Cristo será o juiz que julgará a todos no final dos tempos.

Na Profissão de Fé afirmamos crer que Jesus, após sua vida, paixão, morte e ressurreição, “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”. Esta convicção, cultivada pela Igreja desde seus inícios, indica antes de tudo que este Jesus que se encontra na glória, junto do Pai, retomará, no final do mundo, e será o juiz.

Ao julgar tudo e todos, Jesus vai estabelecer plenamente o reino de Deus que ele mesmo anunciou. O seu evangelho é, portanto, o parâmetro que vai usar para julgar. Ao mesmo tempo, o evangelho é o parâmetro para a vida do cristão; ou seja, uma vida de santidade quer dizer uma vida de acordo com a palavra de Cristo.

A fé nesse evento final de toda a existência do mundo e das pessoas convida o cristão a fazer, a cada dia, séria opção por Jesus Cristo e por seus ensinamentos, pois somente uma vida por ele, com ele e nele terá êxito no momento do juízo final. A liberdade que cada um possui deve ser bem empregada, visto que as conseqüências das escolhas que cada um faz comprometerão o que seremos quando formos chamados a comparecer diante do tribunal de Jesus Cristo.

Além disso, a segunda vinda de Cristo para o juízo mostra que a nossa vida e o nosso mundo são passageiros. Aqui, nós somos peregrinos, pois somos cidadãos dos céus. Por isso, a vida neste mundo deve ser vivida em clima de expectativa e vigilância. Às vezes, nas situações de bem-estar e de prazer, somos tentados a esquecer que um final no espera e vivemos sem um rumo certo. Sobretudo, somos tentados a nos esquecer de viver o amor, cujo modelo é o próprio Jesus, ou seja, o amor capaz de se doar para a salvação das outras pessoas; o amor que se despoja de si mesmo e é capaz até mesmo de enfrentar sofrimento e a cruz para que os outros sejam salvos.

Por fim, acreditar na segunda vinda de Jesus para o juízo motiva o fiel a cultivar no coração a esperança de um mundo melhor, a confiança plena no poder onipotente de Deus e a perseverança que se renova a cada dia, mesmo em situações adversas.

Embora existam tantos problemas em nossa vida e neste mundo, Deus tudo pode e ele mesmo realizará o juízo de todos e de cada um. Embora muitos sejam os desafios para uma vida verdadeiramente cristã, ela é possível, pois Cristo caminha ao nosso lado. Embora tudo possa parecer sombrio e cheio de dificuldades, com perseverança podemos fazer a vontade de Deus e ter uma experiência cheia de sentido. O juízo final nos assegura que Deus vencerá totalmente o Maligno e as suas armas, que são o mal e a morte!

Ao olhar mais uma vez para a obra de Michelangelo, vemos ao lado de Cristo a virgem Maria. Ela acompanha o seu Filho, Jesus, e acompanha cada um de nós enquanto peregrinamos por este “vale de lágrimas”. Podemos contar com ela em todos os momentos, nos bons e nos difíceis! Ela, a “Mãe de misericórdia” e “esperança nossa”, será o auxílio para que vivamos bem neste mundo e nos preparemos a cada dia para o encontro final com o seu Filho.

Ela será nosso consolo e nos ajudará a compreender que o juízo final não será simplesmente momento para acertar as contas, mas será a plenitude da salvação, pois o Cristo juiz é o mesmo que estavam oprimidos pelo diabo” (At 10,38).

Pe. Leandro C. Raimundo

Revista ECOANDO – Formação Interativa com Catequistas – Ano IX – nº 36.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A LIDERANÇA NA CATEQUESE

           A história da humanidade é também a história da liderança humana. A liderança é muito antiga e eficaz.

           No livro do Êxodo, Jetro, o sogro de Moisés, aconselha fazer o seguinte: “Escolha entre o povo homens capazes e tementes a Deus, que sejam seguros e inimigos do suborno: estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Eles administrarão regularmente a justiça para o povo: os assuntos graves, eles trarão a você; os assuntos simples, eles próprios resolverão. Se você fizer assim e Deus lhe der as instruções, você poderá suportar a tarefa, e o povo voltará para casa em paz” (Ex 18,21-23).
           Jetro já entendia de liderança...

           A equipe de coordenação da catequese, quando reforça a sua liderança, facilita a sua missão à luz da palavra de Deus.
          Trabalhando com valores, confiança e desafios, é possível criar oportunidades no contexto do desempenho cotidiano, transformando a liderança em novo modelo de vida: “ser servidor”, como fez Jesus, ao lavar os pés dos discípulos (cf. Jo 13,14-16). Jesus sempre exercia liderança, mas não por meio do poder. As pessoas o seguiam por livre e espontânea vontade, movidas pela força de sua liderança.
          James C. Hunter, autor da obra O monge e o executivo, traz propostas para uma liderança servidora, pois admite que liderar significa servir.

*Definição de liderança cristã

           A palavra liderar significa, em sua raiz, “ir, guiar”. Liderança é a presença da pessoa que lidera e o relacionamento com as pessoas que são lideradas. A liderança é uma arte, uma força interior, uma rede de relacionamentos, uma aplicação de métodos que implica sempre um movimento.
           Quando consideramos a catequese e outras instituições ligadas à Igreja, somos capazes de entender o conceito de serviço. Mas, quando falamos das grandes empresas e negócios, a palavra “serviço” não é compreendida, porque neste campo a palavra liderança tem uma conotação de poder, de autoridade, de honra, de prestígio ou de vantagens pessoais.
           Liderança não é apenas uma posição, é um processo. O líder exerce influência sobre uma pessoa ou um grupo, a fim de alcançar os objetivos propostos. Com seu dom e influência sobre uma pessoa ou um grupo, a fim de alcançar os objetivos propostos. Com seu dom e influência, orienta, incentiva outras pessoas nas suas atividades.
           Ser líder não é sempre uma herança genética. É algo que se pode aprender, exercitar e aperfeiçoar pela prática.
           O catequista líder que orienta o grupo de catequistas ou os catequizandos, espera que a catequese possa florescer com responsabilidade e com o compromisso de serviço em sua missão.

Algumas características do líder na missão catequética

1.O catequista líder é aquele que acredita na missão, unindo a fé e vida com entusiasmo contagiante e fazendo com que os catequistas e catequizandos tenham coragem e iniciativa para vencer as suas dificuldades.
2.O catequista líder dá espaço para que todos participem com as próprias opiniões, facilitando o trabalho do grupo e ajudando as pessoas a se tornarem corresponsáveis.
3.O catequista líder é um animador, e o animador é pessoa, e não instrumento de trabalho. Ele não tem a função de bombeiro. Animar significa dar vida, criar ambiente propício para o crescimento das pessoas, a fim de que a comunidade alcance os seus objetivos.
Ele incentiva o crescimento da amizade entre as pessoas do grupo, encoraja para que todos possam caminhar, apesar das dificuldades encontradas.
4.O catequista líder é aquele que tem visão do conjunto: percebe tanto as necessidades das pessoas quanto as da missão catequética. Por isso, busca abrir caminhos para a esperança, sustentando a ação. Para isso acontecer, deve procurar treinamentos para a crescente formação na arte de ser líder.
5.O catequista líder é aquele que olha sempre para a frente como Paulo apóstolo, que era líder e dizia: “Esqueço-me do que fica para trás e avanço para o que está na frente” (Fl 3,13b).
6.O catequista líder compartilha suas idéias para que as outras pessoas tenham a mesma visão.
7.O catequista líder define sempre um objetivo e luta por ele. Novamente indicamos Paulo apóstolo, que definiu como seu único objetivo evangelizar: “Cristo me enviou para anunciar o evangelho” (I Cor 1,17).
8.O catequista líder, definindo o objetivo da sua missão, procura sempre alcançá-lo na prática.

*Como liderar reuniões

Tomar eficientes as reuniões de equipe é um dos maiores testes da capacidade de liderança, pois ao líder compete:
>Definir sempre o objetivo das reuniões;
>distribuir a pauta com antecedência, para dar à equipe o tempo necessário para se preparar;
>provocar a participação de todos os membros; e
>evitar comportamentos inadequados no grupo.

*Formando lideranças

         Há pessoas dotadas de muitas qualidades que facilitam o exercício da liderança. Contudo, pode-se aprender a ser líder e adquirir as habilidades essenciais da liderança por meio de treinamento e da análise de situações práticas.
          A coordenação deve promover sempre reciclagens, encontros de formação para aprimorar as habilidades dos líderes.
          As qualidades e técnicas essenciais, implicadas na liderança, desenvolvem-se por meio de treinamentos e de experiência, uma vez que um líder eficiente não “cai do céu”.
          A maioria das pessoas sabe que o treinador de qualquer equipe de esporte realiza muitos treinamentos e se concentra em todas as fases de um jogo. As pessoas que desejam alcançar boa liderança devem fazer o mesmo. A liderança se torna positiva quando é processo consciente, planejado e contínuo.
          É importante formar outros líderes para que eles possam realizar a missão, organizar equipes e motivar o desenvolvimento das pessoas.
          Toda liderança é também responsável pela busca de novos líderes. Os líderes cristãos tratam de se capacitar e de capacitar outras pessoas para experimentar aquela “vida em abundância” (Jo 10.10).
          O estilo de vida dos líderes e seus métodos de relacionamento com outras pessoas enfocam sempre o propósito de ajudar os outros a crescer até o máximo de sua capacidade “na medida da idade plena de Cristo” (Ef 4,13).

*Em grupos

Descobrir o líder catequético que está dentro de cada catequista do grupo.

ORAÇÃO

Senhor, que disseste que qualquer pessoa que desejasse ser um bom líder fosse também um servo de seus semelhantes, ensina-me a ser este verdadeiro líder, motivado a iniciar uma liderança com aqueles que me encontro todos os dias. Que eu perceba as necessidades de meus irmãos e irmãs, fazendo o possível para ajudá-los a viver de acordo com todo o seu potencial. Amém.

Revista ECOANDO-Formação Interativa com Catequistas – Ano IX – nº 36.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AS SEMENTES DO VERBO NAS DIVERSAS RELIGIÕES E CULTURAS

O belo e variado jardim de Deus


O livro do Gênesis , para narrar o episódio do pecado humano, usa a imagem de um jardim e afirma que, em meio às árvores, Deus caminhava, ao final do dia, para encontrar-se com o homem e a mulher, criados à sua imagem e semelhança (cf. Gn 3,8-10).

Usando a mesma imagem, podemos afirmar que o mundo e a humanidade são realmente, o belo jardim de Deus, cheio de plantas variadas, de flores com cores riquíssimas, de frutos saborosos... Deus quis um jardim assim, plural, porque sabe que na pluralidade se encontra a riqueza da complementaridade.

No espaço religioso, verifica-se a mesma coisa: existe uma pluralidade de religiosa e cultural. A Igreja, desde seus inícios, fez essa experiência: nasceu em meio a profundo pluralismo religioso. Contudo, condicionada por situações políticas e sociais, viveu, por um tempo, a tática do isolamento religioso. Em verdade, no período da cristandade, a Igreja se identificava quase totalmente com o Estado, o que favorecia uma forma de rígido exclusivismo religioso. A causa disso foi o Concílio Lateranense IV, que, no ano de 1215, retomou a fórmula de São Cipriano: “extra ecclesiam nulla salus”, isto é, “fora da Igreja não há salvação”.

Mas, sabendo que milhões de povos não conheciam Jesus Cristo e não pertenciam à Igreja católica, uma pequena era necessária: aquelas pessoas que, sem culpa, não conhecem Jesus Cristo e o seu evangelho são destinadas à condenação eterna?

O Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II declara aberta a porta da salvação não somente aos cristãos pertencentes às Igrejas não católicas, mas também aos seguidores de outras religiões e convida a reconhecer e acolher as “sementes do Verbo” presentes nas diversas religiões e culturas. Desse modo, acentua-se ser a Igreja o meio ordinário pelo qual Deus oferece a salvação a todas as pessoas, porque incorporar-se à Igreja significa tornar-se membro do Corpo de Cristo, o único mediador e caminho de salvação. Contudo, no seu projeto de salvação, Deus pode salvar até mesmo fora da Igreja.

Retomando a idéia do jardim, pode-se dizer que o concílio ajudou a perceber que a Igreja católica é o jardineiro que recebeu do proprietário do jardim, que é o Senhor, a missão de cultivar todos os canteiros. O jardineiro, contudo, deve aceitar uma realidade que antes não queria perceber: fora dos canteiros por ele cultivados cresciam algumas plantas vigorosas, capazes de produzir bons frutos. Diante disso, começou a refletir e percebeu que toda propriedade é de Deus, e não sua. E foi o proprietário que, na força do Espírito Santo, espalhou as sementes dessas árvores onde ele quis, dentro e fora dos canteiros estabelecidos. Outras plantas, por sua vez, que inicialmente estavam nos canteiros, estenderam suas raízes para fora e produziram mais frutos lá do que aqui.

Desse modo, a Igreja entendeu que existem “ sementes do Verbo”, que é Jesus Cristo, espalhados por todo o jardim, e não somente dentro dos canteiros por ela cuidados. É ela o jardineiro eleito e escolhido por Deus para deixar o jardim sempre mais bonito. Mas, em outras culturas e religiões, Deus pode oferecer sua salvação às pessoas. E, mesmo que as pessoas não tenham ouvido falar de Jesus Cristo e do seu evangelho, podem produzir frutos, pois existem as sementes que Ele lá espalhou, tais como a justiça, o respeito pela vida humana, o desejo de realização e vida plena, a consciência da existência de um ser superior e criador...

João Paulo II afirma que a Igreja é uma mediação que não se opõe ao projeto de salvação, mas “é necessário manter unidas estas duas verdades, isto é, a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens e a necessidade da Igreja para tal salvação. Ambas favorecem a compreensão do único mistério de salvação, de modo a poder experimentar a misericórdia de Deus e a nossa missão” (Redemptoris Missio, 9). Desse modo, a única missão da Igreja comporta diversos aspectos; deve educar no aprofundamento da fé os católicos; deve cuidar dos cristãos “descristianizados” que vivem em pleno secularismo e têm a necessidade de ser novamente evangelizados; deve fazer-se próxima dos cristãos não católicos com os quais trabalha para reencontrar a unidade; deve ir ao encontro dos não-cristãos como portadora do anúncio da salvação em Cristo.

Para cumprir essa missão, os caminhos seguidos são o ecumenismo e o diálogo inter-religioso.

O ecumenismo é o processo de busca da unidade entre as diversas confissões cristãs, a fim de cumprir o mandato de Jesus: “... que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

O diálogo inter-religioso privilegia as relações entre a Igreja e as religiões não cristãs, como o judaísmo, o budismo etc. Como em todo diálogo, cada uma das partes tem seu espaço para partilhar, oferecer e receber. Contudo, seja no âmbito do ecumenismo, seja no do diálogo inter-religioso, não se trata de uma perda de identidade ou de reduzir todos ao cristianismo ou á pertença ao catolicismo. Antes, para que se verifique realmente o ecumenismo e o diálogo, cada religião precisa conhecer profundamente a si mesma, a fim de dialogar com inteireza, consciência e respeito.

Descobrimos, desse modo, as sementes do Verbo presente nas diversas religiões e culturas, a Igreja se põe em diálogo e reconhece e afirma ainda mais a sua missão de ser “em Cristo, o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”.

Revista ECOANDO, Formação Interativa com Catequistas – Ano V – nº 20.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O JEITINHO BRASILEIRO

          Na maior parte do mundo, nós, brasileiros, somos bem considerados. Nossa pátria amada é vista com bons olhos e possui um povo acolhedor, alegre, trabalhador e de bem com a vida, apesar de tantos problemas.

          Em meio a tantas qualidades, o brasileiro também é muito conhecido pela sua criatividade, pela sua maneira de ser e lidar com os desafios da vida. É o jeito especial de ser e viver: o famoso “jeitinho brasileiro”.

          Para tudo, nós, brasileiros, damos um jeitinho. Mas é preciso perguntar até que ponto esse jeitinho pode nos ajudar ou nos atrapalhar na vida como cristãos.

               A palavra ilumina a vida

          “Disse Jesus a seus discípulos: ‘Um homem rico tinha um administrador. Chegaram-lhe queixas de que ele estava esbanjando seus bens. Chamou-o e lhe disse: O que é isso que me contam de ti? Presta-me conta de tua administração, pois não poderás continuar no cargo. O administrador pensou: O que vou fazer, agora que o patrão me tira o cargo? Não tenho forças para cavar, pedir esmolas me dá vergonha. Já sei o que vou fazer para que, quando me despedirem, alguém me receba em sua casa. Foi chamando um por um os devedores de seu patrão e disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão? Ele respondeu: Cem barris de azeite. Disse-lhe: Pega o recibo, senta-te rápido e escreve cinqüenta. Ao segundo disse: E tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe: Pega o teu recibo e escreve oitenta. O patrão louvou o administrador pela astúcia com que havia agido. Pois os cidadãos deste mundo são mais astutos com seus colegas do que os cidadãos da luz’” (Lc 16,1-8).

               Testemunhando a palavra na vida

          Com essa parábola, Jesus quer ensinar os seus discípulos sobre o uso dos bens. É uma parábola que soa um pouco estranha aos nossos ouvidos. Como é possível um mau administrador ser elogiado e proposto como exemplo?

          O patrão acusa o administrador e resolve demiti-lo. Assim, diante de uma situação de emergência, aquele administrador usa de seus conhecimentos e influência para “salvar a sua pele”. Ele dá um jeitinho para resolver a sua situação: perdoa parte da dívida dos devedores do seu patrão. A um ele dá 50 por cento de desconto e a outro 20 por cento. Ora, o administrador pôde dar esse desconto porque essas percentagens correspondente àquilo que ele cobrava a mais e guardava para si. Assim, ele usa do que ganhava injustamente para fazer amigos que possam depois apoiá-lo.

          E o patrão reconhece e elogia a esperteza do administrador, jeitinho que ele deu para fazer de seu erro algo de bom para si. Os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz.

          Mas o que isso tem que ver com nossa vida, com o chamado jeitinho brasileiro?

          Jesus não conta essa parábola para nos incentivar a ser desonestos na administração dos bens do mundo, na administração das nossas vidas. Os fins jamais justificam os meios. O que Jesus deseja mostrar é que, da mesma forma que os filhos das trevas são espertos para fazerem suas tramas, assim também os filhos da luz, os seus discípulos, são chamados a ser espertos para promoverem o bem em meio a situações difíceis. Usar da criatividade e de todo jeitinho para fazer o bem. Não é erro e a má administração que são postos como exemplo, mas é a capacidade, o jeitinho de resolver com criatividade as crises da vida.

          Infelizmente no nosso país, muitas vezes o jeitinho brasileiro é usado para o mal. São muitos os políticos que dão um jeitinho entre si para promoverem seus próprios interesses. E como estamos cansados disso. Dá-se sempre um jeitinho para fazer do povo “gato e sapato”. São inúmeras as pessoas que usam de jeitinho, no dia-a-dia, para propor e articular injustiças, para fraudar, para passar o outro para trás e tirar vantagens.

          E o pior é que esse jeitinho pega, contaminando todo o mundo, também a vida cristã. Quantas e quantas vezes se tenta dar um jeitinho no evangelho para que ele não seja tão exigente quanto é? Quantas e quantas vezes se tenta dar um jeitinho para não amar, para não perdoar, para não partilhar, para não participar da comunidade, para driblar os compromissos que brotam de uma fé viva e madura? E o grande pecado: tentar dar um jeitinho para que a fé jamais nos questione e nos faça mudar de vida.

          Por outro lado, graças a Deus, é bonito ver o jeitinho brasileiro da solidariedade, das pessoas que se dão as mãos quando a vida aperta, daqueles que socorrem uns aos outros, de projetos comunitários de pessoas que se preocupam umas com as outras, de tantos cristãos que não medem esforços e sempre procuram dar testemunho da luz no meio das trevas.

          Se os filhos das trevas usam da esperteza para fazer o mal, os filhos da luz devem usar da esperteza, do jeitinho brasileiro, para fazer o bem. Os discípulos missionários de Jesus precisam de um jeito especial para levar o evangelho da vida a todos, pois o próprio Jesus disse: “Vede, eu vos envio como ovelhas no meio de lobos: sede espertos como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16).

          Se o jeitinho brasileiro fosse assumido numa perspectiva de fé e vida cristã. O Brasil, com certeza, tomaria jeito!

Revista Ecoando – Formação Interativa com Catequista – Ano V – nº 21.