quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

OBEDIÊNCIA: ALEGRIA DE ESCOLHER O NOSSO “MAIS”

Giovanni Marques Santos

Para rezar juntos

1) Preparem um ambiente acolhedor, com almofadas ou cadeiras em círculo ao redor de uma vela acesa, uma Bíblia aberta, uma estampa bonita com o rosto de Jesus e algumas imagens retratando nossa realidade.
2) Após desejar boas-vindas aos participantes, o dirigente convida a ouvir e a meditar a letra da canção “Vocação”, do padre Zezinho.
3) Em seguida, alguém proclama o texto do encontro de Jesus com o jovem rico: Mt 19, 16-22.
4) O dirigente motiva os participantes a conversar sobre estas e outras questões:
·        O que é a “voz do vento” de que o Pe. Zezinho fala na canção? Alguém do grupo já experimentou? Como ela se manifesta na nossa vida? É algo de bom se sentir?
·        O que essa “voz do vento” tem a ver com a proposta que Jesus fez ao jovem rico do evangelho? Se o encontro com Jesus e o chamado que ele faz são algo bom, por que o jovem rico voltou para casa triste?
·        É fácil tomar decisão de que falam a canção e o texto bíblico? Por que?

5) Para prosseguir a reflexão, pode ser lido o texto que segue.
6) Em respostas aos apelos da palavra de Deus, o grupo realiza preces espontâneas pela Igreja, por seus pastores e ministros leigos, pelas necessidades do mundo e da comunidade.
7) Conclui-se com um Pai-nosso, uma Ave-Maria e um abraço de paz.

“Se ouvires a voz do vento...”: o convite do Espírito
A espiritualidade cristã consiste em nos deixarmos mover pelo Espírito Santo to o tempo, para que possamos prosseguir a missão de Jesus no mundo, que é conduzir a todos para o retorno aos braços do Pai misericordioso. Não se trata de algo romântico, de uma idéia bonita apenas: trata-se de efetiva transformação que o Espírito de Deus vai realizando em nosso comportamento, em nosso modo de ver, sentir, pensar e agir sobre a realidade que nos circunda. O progresso espiritual é feito de pequenas conversões no dia a dia, que são frutos de pequenas escolhas corajosas que vão aproximando o nosso modo de sentir do coração de Cristo, como diz o apóstolo Paulo: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5).
A autêntica espiritualidade cristã, portanto, vai provocando em nós uma cristificação: vamos escolhendo ficar parecidos com Jesus, movidos pela sabedoria e pela fortaleza que nós dá o Espírito de Deus. O Espírito Santos é Deus em nós: é convite suave e insistente para que sejamos o melhor que podemos ser – o nosso magis (mais), como dizia santo Inácio de Loyola. Esta é a pergunta que o Espírito Santo nos leva a fazer a todo o tempo: qual é o meu mais? A partir dos dons e talentos que recebi, o que de melhor posso fazer por Jesus, pelo meu irmão, por minha comunidade?
O nome da resposta que damos a essa pergunta chama-se obediência. Em sentido espiritual, obedecer não significa ser uma “vaquinha de presépio” sem reflexão, mas ousar perguntar-se pelo melhor modo de se por a serviço de Deus e do próximo, de acordo com as necessidades da comunidade. Dom Luciano Mendes de Almeida, de saudosa memória, sempre que participava de algum encontro pastoral, dirigia-se aos organizadores, ao pessoal da cozinha e da limpeza, dizendo: “Em que posso ser útil? É um modo simples e concreto de ilustrar em que consiste a obediência  evangélica: ousar oferecer o melhor de nós para realizar a vontade de Deus e o bem do próximo.

“Se ouvires a voz do tempo...”: os apelos do conforto
Sabemos, entretanto, que não é tão fácil dizer sempre “sim” às inspirações do Espírito Santo em nossa vida. O apego a nosso conforto exerce sobre nós u,a força muito grande. A voz  do Espírito em nós nos seduz e nos toca do modo mais profundo possível, porém há muitas outras vozes também sedutoras – apesar de superficiais, epidérmicas – que nos fazem ceder aos apelos da civilização do conforto.
Para o mundo de hoje, vive bem quem leva uma vida prazerosa aqui e agora. Aos poucos vamos nos cercar de tanto conforto, que vamos nos tornando totalmente anestesiado em relação ao sofrimento do outro. Aos olhos do mundo, a proposta do evangelho vai se tornando conversa de gente doida, alienada, irracional.

“A decisão é tua...”
O que fazer? Eis a questão, e trata-se de uma resposta que ninguém pode dar em nosso lugar. Esta é a escolha fundamental da vida: optar por seguir Jesus no melhor serviço que posso prestar ao próximo ou centrar minha vida na conquista  e garantia de meu próprio conforto. A última escolha pode nos trazer uma porção de felicidades, nunca satisfeitas, sempre provisórias; a primeira escolha nos trará a felicidade, quem ninguém tirará de nós.
Nem todos tem coragem suficiente para dar esse passo na vida. No texto do evangelho, o jovem rico não a teve e, embora fosse dono de muitos bens, voltou para casa “cheio de tristeza” (Mt 19,22). Os santos todos que conhecemos, canonizados ou não, vivos ou defuntos, são pessoas que ousaram ouvir a “voz do vento” e encontraram o melhor de si mesmas em Deus.
Obediência a Deus significa reflexão, discernimento, escolha alegre da nossa ”melhor parte” e desobediência a tudo o que contraria a vontade divina, por mais bonito e até religioso que inicialmente possa parecer. Quando transformo meu serviço eclesial em instrumento de vaidade, comodismo e exploração do outro, torno-me o que há de mais odioso: o lobo na pele do cordeiro, o mercenário que não é pastor, o demônio travestido em anjo de luz.

E tu, meu irmão e minha irmã? Qual a tua escolha? A decisão é tua...

sábado, 10 de janeiro de 2015

Batismo do Senhor

Programa Ecoando
Dia 11: Batismo do Senhor (Cor Branca)

 1ª Leitura: (Is 42,1-4.6-7)

É o primeiro “cântico do Servo de Javé”. Quem é esse Servo? De início, provavelmente, uma pessoa, depois essa pessoa foi tomada como figuram coletiva, sendo aplicada a todo o povo pobre e fiel. O Servo é a grande novidade que Javé prepara: o missionário escolhido que, graças ao Espírito de Javé, recebe a missão de fazer que surja uma sociedade conforme a justiça e o direito. Ele não submeterá os fracos ao seu domínio, mas o seu agir acabará produzindo uma transformação radical: os cegos enxergarão e os presos serão libertos. Os evangelhos aplicam a Jesus a figura do Servo (cf. Mt 3,17 e paralelos; 12,17-21; 17,5).


Salmo- 28


Hino de louvor, cantado a glória e o poder do Criador, que se expressam na tempestade.
Convite para a comunidade reunida louvar a glória e o poder de Deus.
A impressão da tempestade produz uma experiência do mistério. Descreve-se uma chuva torrencial, que começa no norte da Palestina e vai até o deserto de Cades, no sul. As sete repetições de “voz” servem para imitar o estrondo do trovão, que simboliza a voz de Javé. A essa voz de Deus na natureza corresponde a voz do povo no Templo, aclamando a glória de Deus.
A tempestade ou dilúvio é também símbolo da história turbulenta e conflitiva das nações que não conhecem a Javé. O povo de Deus tem plena confiança, pois sabe que o Senhor da natureza e da história é seu aliado, que lhe dá força e paz.

 2ª Leitura: (At 10,34-38)

O texto reflete a essência da catequese primitiva. Na estrutura dessa catequese podemos ver a estrutura dos atuais evangelhos escritos; estes não são mais do que cristalização da catequese realizada em comunidades particulares.
O ponto de partida da evangelização de da catequese é o reconhecimento de que o povo de Deus é formado por todos aqueles que o respeitam e praticam sua vontade, ainda que de forma inconsciente e anônima. É essa prática da justiça que a evangelização visa descobrir, fazer crescer e educar, mostrando tudo o que Deus realizou em favor dos homens através de Jesus Cristo. Note-se que toda a atividade de Jesus está resumida numa frase que define o programa da ação cristã: fazer o bem e curar todos aqueles que estão dominados pelo diabo. Em outras palavras, trata-se de despertar relações justas entre os homens, a fim de que eles vençam a alienação e construam uma sociedade voltada para a vida que Deus quer.

 Evangelho  ( Mc 1,7-11)
A pregação de João Batista é grande advertência. Ele anuncia a vinda do Messias, que vai provocar uma grande transformação. É preciso está preparado, purificando-se e mudando o modo de ver a vida e de vivê-la.
O céu se rasgou: Na pessoa de Jesus, a separação que havia entre Deus e os homens se rompeu. A voz apresenta o mistério do homem de Nazaré: ele é o Filho de Deus, o Messias-Rei (Sl 2,7) que vai estabelecer o Reino de Deus através do serviço, como servo de Javé (Is 42,1-2).



sábado, 27 de dezembro de 2014

Permita que a salvação de Jesus entre em sua vida

Programa Ecoando
Dia 28: Domingo da 8ª de Natal  Ano B  (Cor Branca)

 Sagrada Família: Jesus, Maria e José 

Permita que a salvação de Jesus entre em sua vida

 1ª Leitura: Eclo 3, 3-7.14-17a

É um comentário ao quarto mandamento do Decálogo. O respeito e o cuidado para com os pais preservam a consciência viva da identidade de um povo.

 Salmo- 127

Oração em estilo sapiencial sobre a felicidade do justo.
Temer a Deus consiste em reconhecer que só ele é Deus, e o homem não é Deus. Daí nasce a obediência à vontade de Deus, que abençoa e ensina o caminho da vida: trabalho honesto, amor matrimonial, paternidade e maternidade que partilham a vida.
Do ciclo familiar para todo o povo: da cidade da aliança Deus abençoa a todos, criando uma história de paz.

 2ª Leitura: Cl 3, 12-21  

Através do batismo, os cristãos passam por uma transformação radical: deixam de pertencer à velha humanidade corrompida (homem velho) e começam a pertencer à nova humanidade (homem novo), que é a criação realizada em Cristo, o novo Adão, imagem de Deus (1,15). Na comunidade cristã, semente da nova humanidade, não se admitem distinções de raça, religião, cultura ou classe social: todos são iguais e participam igualmente da vida de Cristo. A transformação é coisa prática: deixar as ações que visam egoisticamente aos próprios interesses, em troca de ações a serviço de reconciliação mútua e do bem comum.
Paulo aplica às relações humanas o princípio enunciado no v. 17: fazer tudo “em nome do Senhor Jesus”. Note-se que ele prega uma única moral a todos (homem, mulher, crianças, adultos, senhores e escravos): todos devem ser leais e respeitosos com os outros. Embora Paulo não se afaste do modo de pensar da sua época, sua proposta é um passo para que se reconheça a igualdade de direitos entre os homens e para que aconteçam importantes transformações sociais.

 Evangelho: Lc 2, 22-40

Simeão e Ana também representam os pobres que esperam a libertação. E Deus responde a esperança deles. O cântico de Simeão relembra a vida e Missão do Messias: Jesus será sinal de contradição, isto é, julgamento para os ricos e poderosos, e libertação para os pobres e oprimidos (cf. Lc 6,20-26).


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

“Filho de Maria, Deus Conosco”

Programa Ecoando
Dia 21: 4º Domingo do Advento  Ano B  (Cor Roxa)

 “Filho de Maria, Deus Conosco”

 1ª Leitura: 2Sm  7, 1-5.8b-12.14ª.16

Davi quer construir uma casa, isto é, um templo para Deus. Deus recusa, pois está presente no meio do povo que luta pela vida e liberdade. Em troca, é Deus quem vai construir uma casa, isto é, uma dinastia para Davi: o poder político estará sempre na mão de seus descendentes. O oráculo é sem dúvida um ato político que procura justificar e preservar o poder dinástico da família de Davi, principalmente o poder de Salomão. As tribos do Norte, porém, vão logo rebelar-se contra esse verdadeiro “ato institucional” (cf. 1Rs 12).
Esse texto fundou a concepção messiânica, elaborada tanto no Antigo como no Novo Testamento. Com o fracasso da realeza em Judá, o Messias (rei descendente de Davi) torna-se o rei ideal que libertará o povo e o fará viver conforme a justiça e o direito (cf. Is 11, 1-9 e nota). O Novo Testamento vê a pessoa de Jesus como a realização da promessa do Messias (Cristo = Ungido = Messias).

Salmo- 88

Oração de súplica numa catástrofe nacional, com especial menção da promessa de Deus feita a dinastia de Davi.
O amor e a fidelidade são termos básicos da Aliança e dão a tônica a todo este Salmo.
A Aliança com Davi fundou uma dinastia perpétua.
Hino de louvor, proclamando a soberania de Javé sobre o universo e a história. Acima de homens e autoridades está Deus. Ele firma o governo delas com amor e fidelidade, a fim de produzir justiça e direito.

2ª Leitura: Rm 16, 25-27  

O louvor exprime a alegria da Igreja que já vive o tempo que se realiza o mistério da salvação. (cf. nota em Ef 3, 1-13).

 Evangelho: Lc 1, 26-38

Maria é outra representante da comunidade dos pobres que espera pela libertação. Dela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus. O fato de Maria conceber sem ainda está morando com José indica que o nascimento do Messias é obra da intervenção de Deus. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente nova.


A CATEQUESE NO BRASIL: ORGANIZAÇÃO E INDENTIDADE

A catequese no Brasil vai assumindo diversas formas, linguagens e métodos, à medida que a realidade a interroga. A Igreja no Brasil chega ao século XX com duas atitudes principais diante dessa realidade: a de condenação e a de acolhida críticas das mudanças. Essas posturas ainda podemos ver nos cristãos de hoje diante do mundo que rapidamente se modifica, trazendo sempre desafios à evangelização. Podemos começar nos perguntando: que situações teriam ocorrido no Brasil, entre os anos de 1.800 e 1900, que influenciaram a forma de a Igreja se organizar? (Conversa em Grupo).

Separação entre Igreja e Estado

A virada do século, para os brasileiros, foi um período de intensas mudanças: econômicas, políticas, sociais e culturais. O fato que mais demonstra isso foi a proclamação da República, que mudou a forma de organização do estado brasileiro. Entre essas mudanças, estava a instauração do Estado laico, ou seja, uma forma de governo fundada no princípio de que o poder religioso não deveria influenciar na esfera pública, pois a decisão de seguir uma religião é de cunho privado. Houve muitas críticas por parte dos católicos, visto que, entre outras questões, a igreja já não  poderia intervir, com a mesma força de antes, nas decisões político- sociais. Mesmo os católicos se dividiram diante dessa situação: alguns defenderam a monarquia (no estilo que vinha sendo exercida até então, em relação direta com a Igreja Católica) e outros, a república, que acenava com maior liberdade política e da própria Igreja.
Assim, sem dependência do governo, como afirma frei Bernardo Cansi, a Igreja buscou organizar, com maior autonomia, a catequese, as dioceses e a ação pastoral. Vieram da Europa para o Brasil diversas congregações religiosas, como os maristas e os lassalistas, que muito contribuíram (e ainda o fazem) para a educação religiosa em colégios. De outro lado, não querendo perder os recursos para suas obras, muitos membros da hierarquia da Igreja uniram-se à burguesia em troca de financiamento de construções e ações sociais (colégios, hospitais, asilos, igrejas etc.). Aquela aproximação anterior com os mais pobres, principalmente índios, negros, camponeses e operários, não foi a grande preocupação da Igreja nesse momento histórico.

Educadores da fé

No início da República, entre as vozes da Igreja no Brasil, uma que se fez ouvir com fervor foi a do padre redentorista Júlio Maria. O sacerdote tinha como lema “catolicizar” o Brasil” e, para isso, via a importância do púlpito e também da imprensa. Acreditava que era preciso unir o povo e a Igreja, sem privilégios do governo. Valorizava a democracia e propunha uma evangelização junto as classes populares, dando grande destaque às questões sociais. O caminho proposto por padre Júlio Maria, para a catequese, era o de assumir a cultura e a religiosidade populares. No entanto, esse apelo não foi seguido e a catequese, assim como praticamente toda a ação pastoral, não teve um rosto brasileiro.
Também se destaca nessa época o monsenhor  Álvaro Negromonte, pernambucano que trabalhou em Belo Horizonte, onde criou o Boletim Catequético. A convite de Dom Helder Câmara, foi para o rio de Janeiro, onde assumiu o Departamento de Ensino Religioso daquela arquidiocese e lecionou, no Seminário São José, a disciplina “pedagogia catequética”, tema de um de seus livros. Seus manuais de ensino religioso, muito aceitos e utilizados no país, fundamentavam-se na Sagrada Escritura, principalmente nos evangelhos e na liturgia. O eixo central do seu método era a reflexão da doutrina, da moral e liturgia católicas. Seu campo de atuação era a escola, o que levou a catequese a assumir a linguagem, os métodos e a pedagogia dessa instintuição de ensino. Frei Bernardo Cansi a denomina “catequese escolarizada”. Hoje, a visão construída é que ensino religioso e catequese se complementam, embora sejam ações diferentes.

Catequese apologética

Nessa época, a Igreja no Brasil assumiu um catolicismo romantizado, de inspiração tridentina,  em que se valorizava mais os aspectos doutrinário e moralista, centrado no clero e nos sacramentos, e a organização se centrava na paróquia conforme explica  Henrique Cristiano José Matos.
Algo novo surgiu com Pio X, eleito papa em 1893, que, preocupado com a “ignorância religiosa”, escreveu a encíclica Acerbo Nimis em 1905, a primeira sobre catequese. Pio X também escreveu o Catecismo da Doutrina Cristã, que logo foi assumido pela Igreja no Brasil. Numa reunião em Aparecida (SP), em 1904, os bispos brasileiros estudaram esse catecismo e, em 1915, mostram-se favoráveis à aquisição e uso do Catecismo do Concílio de Trento para a catequese com adultos. Apontam como conteúdo fundamental: o Símbolo dos Apóstolos (Credo), os sacramentos e os sacramentais, os dez mandamentos e os mandamentos da Igreja, a oração, a graça e os conselhos evangélicos, as virtudes, o pecado e os novíssimos (céu, inferno, purgatório...).  Salientam também a importância de falar  do papa, do “primado e do magistério infalível”.
Nossos bispos, em 1939 no Rio de Janeiro, voltam a se encontrar para refletir sobre a catequese. Foi o primeiro Concílio  Plenário Brasileiro. Nesse encontro, os bispos, no entanto, concluem que a ignorância religiosa é a causa dos grandes males da Igreja e da sociedade. Não fazem uma leitura da realidade social, econômica e política, mas reduzem a visão do mal ao “não saber” do povo. Veem como inimigos o espiritismo e o protestantismo e definem como solução para defesa da fé cristã (apologética) o forte teor doutrinário da catequese.

Para conversar:
1)-Como percebemos a influência dessas idéias e metodologias catequéticas em nossa formação e nos dias atuais?
2)-O que essas propostas tem de riqueza e que limites apresentam?

Para rezar:
Rezemos por todos os leigos e leigas, religiosos e religiosas e sacerdotes que muito fizeram pela nossa catequese. Que aprendamos com eles a valorizar a educação da fé, e a promover, sempre mais, a reflexão profunda e madura de nossa ação catequética.

Cantemos: “Vinde , Espírito de Deus, e enchei os corações dos fiéis com vossos dons...” (ou outro conhecido da comunidade).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

“JOÃO BATISTA VEIO PARA DAR TESTEMUNHO DA LUZ”

Programa Ecoando
Dia 14: 3º Domingo do Advento  Ano B  (Cor Rósea )

 “JOÃO BATISTA VEIO PARA DAR TESTEMUNHO DA LUZ”


1ª Leitura: Is  61, 1-2 a. 10-11

O profeta é enviado para  proclamar a Boa Notícia da libertação (VV. 1-3ª), e os destinatários são os pobres (v.1), porque estão abertos à fraternidade e à partilha. Para que a libertação se torne realidade, deverá acontecer no país uma restauração, que se abre para o futuro. Dentro do país, terá que triunfar a justiça nas relações entre os cidadãos; fora, terão que acessar as injustiças e opressões contra o país. A condição para acabar com as opressões externas é abolir as explorações que existem dentro do país; para isso, é preciso reconstruir a cidade e reestruturar o campo, através de uma nova política agrícola e pastoril. Não basta está na terra; é preciso possuí-la. Após sair da escravidão, é preciso caminhar para a libertação e dar-lhe consistência, restaurando o país dilapidado. Os estrangeiros já não irão explorar , participarão da partilha, através do trabalho (VV. 4-5). Dessa maneira, o povo será sacerdote ou ministro de Deus (v. 6), isto é, será oficiante de um culto que agrada a Javé (cf. cap. 58). Se há injustiça no país, exige-se conversão; se a injustiça vem de fora por não de outros, deverão ser enfrentados. Direito e justiça são o fiel da balança (v. 8b); através deles haverá alegria (v. 7), fidelidade a Deus (Aliança, v. 8b), bênção e reconhecimento das nações (v. 9): é o ano da graça de Javé.

Salmo- Lc, 1, 46ss

O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história.


2ª Leitura: 1 Ts 5, 16-24

Paulo termina a carta com diversos conselhos para a construção e crescimento da comunidade: respeitar os  que tem encargo de dirigir, ajudar os irmãos que estão em dificuldade, vivwer em clima de alegria e oração. Os VV. 19-21 convidam os cristãos a exercitar mo discernimento e espírito crítico, para se tornarem capazes de reconhecer e assimilar o bem, onde quer que este se encontre.
Espírito, alma e corpo (v. 23) significam aqui o homem inteiro na sua vida concreta, participando do Espírito de Deus.

Evangelho: Jo 1, 6-8.19-28

Quando João Batista começou a pregação, os judeus estavam esperando o Messias, que iria libertá-los da miséria e da dominação estrangeira. João anunciava que a chegada do Messias estava próxima e pedia a adesão do povo, selando-a com o batismo. As autoridades religiosas estavam preocupadas e mandaram investigar se João pretendia ser ele o Messias. João nega ser o Messias, denuncia a culpa das autoridades, e dá uma notícia inquietante: o Messias já está presente a fim de inaugurar uma nova era para o povo.
Messias é o nome que os judeus davam ao Salvador esperado. Também o chamavam o Profeta. E, conforme se acreditava, antes de sua vinda deveria reaparecer o profeta Elias.
João Batista é a testemunha que tem como  função preparar o caminho para os homens chegarem até Jesus. Ora, a testemunha deve ser sincera, e não querer o lugar da pessoa que ela está testemunhando.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

“Eis que o Eterno Redentor vem ao nosso encontro!”

Programa Ecoando
Dia 30: 1º Domingo do Advento  Ano B  (Cor Roxa)

 “Eis que o Eterno Redentor vem ao nosso encontro!”

A vinda de Cristo não anula a liberdade humana, mas é convite a perseverança na justiça. Todo aquele que põe em Cristo o sentido de sua vida, acolhe a graça divina e participa da redenção trazida por Ele.

1ª Leitura: Is  63, 16b-17.19b; 64, 2b-7

Trata-se de uma súplica em quatro partes: meditação histórica (63,7-14); invocação a Deus Pai (63,15-19a ); pedido por uma manifestação de Deus (63, 19b-64, 4a ); confissão do pecado (64, 4b-11). Este salmo data provavelmente dos início dos exílio: diante do sofrimento, o povo relembra o passado com suas horas tristes e seus momentos de esperança, e dirige sua súplica a Deus, Pai e protetor de Israel, único que pode libertar seu filho da miséria. Para o povo, a libertação de uma questão de honra para Javé: que ele perdoe os filhos humilhados e lhes reavive a esperança.

Salmo 79

Oração coletiva de súplica, por ocasião de uma invasão inimiga.
Israel e Javé representam o reino do Norte, do qual se mencionam três tribos.  Trata-se de uma súplica, talvez motivada pela invasão assíria, que destruiu o reino de Israel em 722 a. C.
Refrão que se repete nos VV. 8 e 20, ampliando a cada vez o nome de Deus. Ele está sempre no meio de seu povo. No entanto os momentos de perigo e dificuldades são ocasiões de suas grandes  manifestações.
Javé dos Exércitos é o título do Deus guerreiro, que luta junto com seu povo. A derrota frente ao inimigo é interpretada como castigo divino.
A situação presente contrasta com a história que Deus já realizou com o seu povo: libertação do Egito, ocupação da terra, expansão no tempo do rei Davi. A imagem da videira ou vinha é comum para representar o povo de Deus.
Súplicas repetidas, apresentando o motivo para Deus agir: trata-se da tua videira, da tua vinha. A situação difícil é também momento para tomada de consciência e conversão (v. 19).

 2ª Leitura: 1 Cor 1, 3-9

 O único Senhor das igrejas é Jesus Cristo.
A evangelização da comunidade de Corinto foi completa: ela recebeu a riqueza do Evangelho e da sabedoria da vida Cristã. Este é outro tema importante da carta. Resta à comunidade perseverar no testemunho de Jesus Cristo até o fim.

 Evangelho: Mc  13, 33-37

Somente agora Jesus responde a pergunta dos discípulos (v. 4). Mas, mas em vez de dizer “quando” ou “como” acontecerá o fim, ele indica apenas como o discípulo deve se comportar na história. A tarefa do discípulo é testemunhar sem desanimar, continuando a ação de Jesus. A espera da plena manifestação de Jesus e o mundo novo por ele prometido impede, de um lado, que o discípulo se instale na situação presente; de outro, evita que o discípulo desanime, achando que o projeto de Jesus é difícil, distante e inviável.

Ao fazer memória da primeira vinda de Cristo, o Tempo do Advento é convite à vigilância. Estar vigilante significa ter consciência da liberdade que Deus nos concede e orientar nossas atitudes na busca da justiça do Reino. Imploremos a Deus a graça da perseverança na escuta e vivência do Evangelho