sábado, 17 de dezembro de 2016

Eis que uma virgem conceberá o messias

Dia 18/12/2016: 4º Domingo do Advento  - Ano A (Cor Roxo)


1ª Leitura: Livro do Profeta Isaías 7,10-14

O Reino do Norte (Efraim), cujo rei era Facéia, se aliou a Rason, rei de Aram, numa tentativa de se libertar do perigo assírio. Como o reino do Sul (Judá) não participou da coalizão entre o reino do Norte e Aram, estes dois temeram que Judá se tornasse aliado da Assíria; resolveram então  atacar o reino do Sul, para destronar o rei Acaz e colocar no seu lugar o filho de Tabeel, rei de Tiro. Acaz teme o cerco e verificas a reserva de água da cidade. Isaías vai ao seu encontro e tranquiliza, mostrando que não haverá perigo, pois continua válida a promessa de que a dinastia de Davi será perene, desde que se coloque total confiança em Javé. O sinal prometido a Acaz é o seu próprio filho, do qual a rainha (a jovem) está grávida. Esse menino  que está para nascer é o sinal de que Deus permanece no meio do seu povo (Emanuel = Deus conosco). Mt 1,23 vê na jovem a figura da Virgem Maria, e no filho, a pessoa de Jesus.

Salmo: 23(24) 1-2.3-4ab 5-6 (R. 7c. 10b)

Procissão que termina com diálogo litúrgico na porta de Jerusalém, para celebrar a conquista da cidade (cf. 2Sm 5,6-10). A presença de Javé é simbolizada pela Arca da Aliança.
1-2
Talvez um cântico durante a procissão.
3-6
Pergunta e resposta sobre as condições para entrar na cidade de Javé. Cf. Sl 15 e nota.
7-10
Diálogo diante da porta da cidade, entre a procissão que chega e um grupo que fica no alto das muralhas, representação dos jebuseus, antigos moradores da cidade.

2ª Leitura: Carta de São Paulo aos Romanos 1, 1-7

Paulo ainda não conhece os cristãos de Roma. Por isso, apresenta-se com todos os seus títulos: servo, apóstolo e escolhido. Sua missão é anunciar o Evangelho, isto é, a Boa Notícia que Deus revela ao mundo, enviando Jesus Cristo para libertar os homens e instaurar o seu Reino. O centro desse Evangelho é, portanto, a pessoa de Jesus na sua vida terrena, morte e ressurreição, que o constituem Senhor do mundo e da história. A originalidade da missão de Paulo é conduzir os pagãos à obediência da fé, ou seja, uma submissão livre, que os faz viver de acordo com a vontade de Deus, manifestada em Jesus Cristo.

Evangelho: Mateus 1,18-24

Jesus não é apenas filho da história dos homens. É o próprio filho de Deus, o Deus que está conosco. Ele inicia nova história, em que os homens serão salvos (Jesus = Deus salva) de tudo que o diminui ou destrói a vida e a liberdade (os pecados).


Edinólia Oliveira

Nós seres humanos, criaturas humanas, realmente, não sabemos a grandiosidade do poder de nosso criador. Porque é invisível ao nossos olhos humanos, mas imaginamos o seu poder criador por ser como somos, frágeis e fortes, tristes e alegres, inteligentes e burros, criativos e preguiçosos. E podemos ver a sua realeza através de tudo que existe e que é muito mais fortes que nós... e talvez até muito mais inteligentes que nós criaturas humanas: é a força da natureza viva.
Imaginamos e colocamos o nome de Deus Pai nosso criador... Javé, Todo-Poderoso, Jeová... sei lá.. Está escrito por Moisés que Ele disse: _ "Eu sou o que sou". Então podemos confiar nas Escrituras Sagradas dos Profetas e acreditar que Nosso Pai  Criador através de Jesus Cristo. O nosso messias não é Deus... Porque é criatura como nós de carne, sangue e ossos... Mas Deus estava Nele... Por isso nasceu sem o ato sexual dos humanos.. Nasceu com a força e a Glória de Nosso criador que também fez o céu e a terra.
Glorifiquemos a Deus seguindo os passos de Jesus Cristo que promove a paz e liberta os oprimidos. Precisamos entender que tipo de libertação é essa.. Conhecendo Jesus logo você entenderá...  

Muito obrigada por ter lido a minha mensagem..  

sábado, 10 de dezembro de 2016

Devemos esperar outro Messias?

Dia 11/12/2016: 3º Domingo do Advento  - Ano A (Cor Roxo ou Róseo)


1ª Leitura: Livro do Profeta Isaías 35,1-6a.10

O contraste entre este capítulo e o anterior é evidente: enquanto as potências dominadores são arrasadas, ao povo de Deus se reservam libertação, alegria e vida em abundância.

Salmo: 145

Hino de louvor, proclamando a fidelidade de Deus, que fundamenta a confiança do povo.
1-2
Uma pessoa convida a comunidade a louvar, confessando sua fé.
3-4
Exortação a não absolutizar a pessoa humana. Também os poderosos têm vida frágil e passageira.
5-6ª
O único a merecer confiança é o Deus vivo, que se aliou com o povo.
6b-10
O motivo central do louvor é a fidelidade ao Deus vivo que age na história, fazendo justiça aos oprimidos e libertando os necessitados. Sua ação, porem, implica também a destruição da justiça. É assim que se constitui o reino de Deus. Jesus fez disso o seu projeto (cf. Lc 4,16-21).

2ª Leitura: Carta de São Tiago 5, 7-10

A fé cristã está permeada de esperança de grandes transformações. Muitas vezes, depois de uma ação prolongada e constante, o cristão pode sentir-se desanimado, ao ver que essas transformações não acontecem como se esperava. Tiago faz o exemplo do agricultor: o grão, depois de plantado, não dá nenhum sinal de vida. Mas o agricultor sabe que surgirá a planta e depois os frutos. A atitude cristã deve ser a mesma: perseverante e cheia de confiança, na certeza de que tais transformações, passo a passo, se realizarão, manifestando a vinda do Senhor.

Evangelho: Mateus 11, 2-11

1-6
Será que Jesus é verdadeiramente o Messias esperado? A resposta não é dada em palavras, porque o messianismo não  é simples ideia ou teoria. É uma atividade concreta que realiza o que se espera da era messiânica: a libertação dos pobres e oprimidos.
7-15
Nenhum homem do Antigo Testamento é maior do que João Batista. Entretanto, João pertence ao Antigo Testamento, onde as profecias são anunciadas, e não o Novo Testamento onde elas já se realizaram. O v. 12 é de difícil interpretação. Provavelmente, evangelista quer mostrar que o Reino é vítima de violência, porque a velha estrutura injusta resiste para não ser destruída e reage violentamente. Essa violência dos que se opõem à vontade de Deus será experimentada pelo próprio Jesus em sua missão.

Edinólia Oliveira

Será que o mundo olha pro céu na espera de seu salvador num carro de ouro voador? O mundo espera que a paz possa acontecer em um passe de mágica? Há muitas religiões que não acreditam o que representa a morte de Jesus na Cruz... Porque o ser humano não pratica, não vive a vida como Jesus viveu... Porque não acreditar em Jesus? Porque esperar um ser extraordinário para nos libertar a corrupção, exploração e violência.. É mais fácil dizer que a religião católica é mentirosa do que viver o que Jesus viveu para ter paz e igualdade social no mundo. Reflita em tudo o que acontece no mundo ... se fosse como Jesus fez , como seria? Com certeza não teria a violência e também não teria tantas doenças... Reflita... Leia o Evangelho de Jesus.. e pense.. Será que eu devo esperar Jesus voltar de braços cruzados?  

Tiago

4
1-10
O homem é um ser inacabado e, por isso, sua vida é busca permanente de realização. Frequentemente pede a Deus. Por que não é atendido? Porque muitas vezes imagina a sua própria realização dentro de esquemas de uma sociedade idolátrica, que adora os deuses da riqueza e do poder. Ao invés de realizar-se, a pessoa encontra-se presa da cobiça e da inveja, que produzem todo tipo de conflitos e competições e levam até mesmo à morte. Este é o mundo que se absolutiza e se coloca no lugar de Deus (cf. Mt 6,24). Para chegar à sua própria realização, o homem precisa descobrir-se como criatura e reconhecer que Deus é o único Senhor absoluto, e só a ele deve adorar e servir. Aí nasce o processo de conversão, pela qual o homem rompe com o espírito do mundo, abandonando o orgulho e a ambição, para torna-se pequeno e submisso a Deus. E Deus, o único que pode conceder a realização, responde ao anseio do homem, manifestando-lhe a vida e a ação do seu Filho como sentido e a meta da vida humana.
5
7-10
A fé cristã está permeada de esperança de grandes transformações. Muitas vezes, depois de uma ação prolongada e constante, o cristão pode sentir-se desanimado, ao ver que essas transformações não acontecem como se esperava. Tiago faz o exemplo do agricultor: o grão, depois de plantado, não dá nenhum sinal de vida. Mas o agricultor sabe que surgirá a planta e depois os frutos. A atitude cristã deve ser a mesma: perseverante e cheia de confiança, na certeza de que tais transformações, passo a passo, se realizarão, manifestando a vinda do Senhor.

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Reino de Deus está próximo

Dia 04/12/2016: 2º Domingo do Advento  - Ano A (Cor Roxo)


1ª Leitura: Livro do Profeta Isaías 11,1-10

Isaías projeta para o reinado de Ezequias o ideal utópico de uma sociedade que chegou a realização plena (cf. 6,13; 7,14 e nota em 8,23b-9,6). Esse reinado se fundará no total espírito de Javé (sete dons) que fará surgir uma sociedade alicerçada na justiça, produzindo paz e harmonia. O Novo Testamento vê o cumprimento do oráculo da pessoa de Jesus (cf. Mt 3,16): é a partir da ação dele que se constrói o mundo novo, onde todas as coisas se reconciliam (Ef 1,10; Cl 1,20).

Salmo: 71

Oração pelo rei, lembrando a função da autoridade e desejando que o rei realize.
É função da autoridade realizar justiça e implantar o direito, para que haja paz. Mas, o que é a justiça? É defender a causa dos pobres contra os opressores. Segundo a Bíblia, portanto, o exercício da autoridade deve espelhar a ação do próprio Deus, que liberta o pobre e o fraco, derrotando seus opressores.
Quando a autoridade é justa, o povo deseja que ela permaneça para sempre e estenda sempre mais a sua ação.
O desejo se amplia para a esfera internacional: que também as autoridades de outras nações obedeçam a Deus, trazendo-lhe tributos e presentes. Para ela ficar mais rica e poderosa?  Não! Simplesmente porque ela, sendo justa, vai partilhar o poder e a riqueza, criando um reino de fraternidade, onde todos podem ter vida.
O povo abençoa a autoridade justa, porque esta coloca ao alcance de todos a abundância e a prosperidade. O v. 17 é um desejo: que a fama dessa autoridade perdure e seja bênção para todos os povos.
Pequeno hino de louvor , encerrando o segundo livro do saltério, formado pelos salmos 42 a 72. O que antes era desejado para o rei, agora é proclamado a respeito de Deus

2ª Leitura: Carta de São Paulo aos Romanos 15,4-9

O respeito e o bem do outro são o maior sinal do cristão consciente.
O acolhimento mútuo no amor é o caminho para que as mentalidades diferentes não quebrem a união da comunidade. assim fez Cristo, que acolheu judeus e pagãos num só povo. Além disso, a comunidade não deve julgar que o fato de pertencer ao povo de Deus seja privilégio que a separa dos outros; antes, é fonte de responsabilidade, pois a vocação da comunidade é acolher todos como irmãos, testemunhando assim o projeto divino de reunir todos os homens.

Evangelho: Mateus 3,1-12

João Batista convida a uma mudança radical de vida, porque já se aproxima o Reino, que vai transformar radicalmente as relações entre os homens. É o tempo do julgamento, e nada adianta ter fé teórica, pois o julgamento se baseará nas opções e atitudes concretas que cada um assume. Os fariseus, com a falsa segurança de suas observâncias religiosas, e os saduceus, com suas intrigas políticas para conservar o poder, pertencem à estrutura que vai ser superada pelo Reino.

Edinólia Oliveira

Muita gente pensa que o Reino de Deus é depois que morre, lá no céu... e olha pro alto...  Como fazer parte do Reino de Deus sem ser Cristão? É muito simples, mas para muitas nações o Reino de Deus também é a salvação depois da morte mesmo sem ser Cristão.. Mas Jesus veio dizer que o Reino de Deus está na mente, está na fé e no compromisso de espalhar para o mundo inteiro o Projeto de Salvação de Deus no qual enviou seu filho ao mundo para anunciar esse mesmo Reino... O Reino de Deus é os obedientes a sua palavra... mas não a Palavra de Moisés  manda apedrejar, não de Davi que adultera,, mas não a de um homem normal nascido da terra, mas sim de um Homem vindo de Deus.
Somos pequenos diante da grandeza da Palavra de Deus através de Jesus Cristo.E nós? Como sabemos propagar o Reino de Deus ( que muitos estão dizendo ai que é Projeto de Deus).? Acreditando nas Palavras de Jesus Cristo no Evangelho e pondo em prática.
Veja como em todas as ações políticas e religiosas vai de em contradição ao Evangelho. Você sabe como anunciar o Reino de Deus? Você  tem coragem de Anunciar o Reino de Deus como Jesus Cristo?



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Rute

1
1-5
O livro de Rute se abre com o drama dos pobres: forçado pela carestia e fome, o povo tem que deixar a própria terra e emigrar para outros lugares, buscando maneiras de sobreviver. Mas o drama continua: a família é atingida pela desgraça, e só restam três mulheres indefesas.
6-22
No auge da desgraça e desiludido da terra para onde migrou, o povo pobre decide voltar para terra natal e aí lutar pela sobrevivência. Isso é um verdadeiro ato de fé, porque nada lhe dá certeza ou garantia de êxito. Quem está disposto a se solidarizar com tal povo? A atitude de Rute é o comportamento de todos aqueles que estão dispostos a deixar suas seguranças para se comprometer com o povo pobre, que nada mais tem, a não ser a esperança que nasce da fé. O Deus do êxodo vai se aliar com os pobres e oprimidos, para lhes dar liberdade e vida.
2
1-7
O restolho da colheita, comumente oferecido às divindades, deve ser deixado para os pobres, porque o projeto de Javé os bens devem ser partilhados entre todos. As sobras, portanto, não devem ser acumuladas, mas distribuídas aos pobres (cf. notas em Dt 24, 19-22; 26,12-15). O texto de Rute, porém, deixa entender que até esse direito havia se tornado em favor ou esmola (v. 2), sujeitos ao capricho dos privilegiados. Para conquistar sua liberdade e vida, o povo tem que lutar para reconhecer e fazer valer seus direitos, endereçando a sociedade para a concretização do projeto de Javé.
8-14
A solidariedade entre os pobres causa grandes consequências entre aqueles que estão abertos para a justiça: Booz se dispõe à fraternidade e partilha. Desse modo os pobres provocam sempre um movimento em direção ao projeto de Deus.
Note-se que os vv. 11-12 salientam o modo como alguém começa a pertencer ao povo de Deus. Primeiro, Rute deixa suas seguranças, como fez abraão (Gn 12,1). Depois, ela se compromete com os pobres e oprimidos, que Javé liberta. (Ex 19,4).
15-23
O v. 20 lembra que Booz tem o direito de resgate. Trata-se do dever dele em socorrer o parente em situação difícil. O texto parece misturar dois costumes. Primeiro, o resgate, pelo qual o parente próximo deve impedir a alienação do patrimônio da família (4,4; cf. Lv 25,23-25). E, segundo, o levirato, que obriga o irmão do falecido a desposar a viúva, a fim de perpetuar a descendência e o nome do irmão morto ( 4,5; cf. Dt 25,5-10). Esse duplo costume mostra o seguinte: Deus quer que todos tenham e possam preservar seu pedaço de chão, e participem da história, preservando o nome de família. a libertação do povo pobre acontece quando ele pode realmente participar do espaço (terra) e do tempo (história).
3
1-8
O plano de Noemi mostra que os pobres não devem simplesmente ficar esperando. Ao contrário, com bom senso, discernimento e coragem, devem planejar o caminho que os leve a fazer valer seus direitos.
9-18
O que rute pede a Booz não é um favor, mas um direito previsto em lei. As reivindicações dos pobres não são uma busca de favores, que podem ou não ser atendidas conforme o capricho dos poderosos. Tais reivindicações são algo que lhes pertence por justiça. Uma sociedade justa não surge através de mecanismos injustos e humilhantes (favoritismo, protecionismo, "pistolões"), mas através de luta digna e corajosa, que encontra formas capazes de produzir a prática da justiça.
4
1-8
Noemi vive a situação dos pobres. Para terem o que comer, eles precisam vender seu pequeno patrimônio. Desse modo, ficam sempre mais desenraizados. Enquanto isso, os ricos aumentam suas riquezas e latifúndios. Muitas vezes esse roubo é acobertado por uma perversa interpretação da lei, cuja finalidade é justamente contrária (cf. nota em 2,15-23). Para defender a situação da família, o livro de Rute mistura duas leis, do resgate edo levirato, ampliando o dever implicado nesta última. Assim, não só o cunhado, mas também outros parentes têm obrigação de perpetuar o nome do falecido. Resultado dessa nova formulação jurídica: o terreno de Noemi é vendido, mas continua a pertencer à sua família e será herdado pelo filho que Rute tiver com o seu resgatador. Além disso, o menino que nascer será considerado filho do falecido esposo de Rute. Desse modo, o terreno continuará sendo propriedade do falecido. Isso tudo mostra que é impossível existir um sistema econômico justo, quando não se leva em conta a situação concreta em que vivem os empobrecidos. O sistema econômico não enformado pela visão da dignidade humana acaba se transformando em fonte contínua de injustiça, violação do direito e corrupção generalizada.
O livro de Rute atinge aqui o seu ápice: a luta dos pobres chega aponto de mudar a estrutura jurídica e legal, encaminhando a construção de uma sociedade justa e fraterna.
9-12
Booz se solidarizou de fato, e levou até o fim a luta  de Noemi e Rute. O que ele ganhou com isso? Apenas o gosto da fraternidade e da justiça, que se alegram com a libertação dos pobres e oprimidos. O nome Booz significa: "Pela Força". Ele é personificação de todos aqueles que gratuitamente colocam sua força e capacidade a serviço da luta  do povo pobre por seus direitos. Ao ver o gesto de Booz, o povo faz a ele um grande elogio, porque desse gesto generoso nasce a esperança de uma sociedade que faz justiça aos pobres.
13-17
Com o nascimento do menino, a situação dos pobres é resgatada e renascem as esperanças do povo. Obed significa servo. Colocando-o como antepassado do rei Davi, o livro de Rute espalha a esperança dos pobres: ter um rei a serviço da justiça, que leve o povo para a liberdade e a vida.
18-22
Estes versículos finais foram acrescentados mais tarde, para destacar que uma estrangeira foi antepassada de Davi. O Evangelho conservará o nome de Rute como antepassado de Jesus (Mt 1,5). Desse modo, a história de Rute deixa bem claro que é através da solidariedade na resistência e na luta, que os pobres constroem a história e o mundo novo.

sábado, 3 de setembro de 2016

Juízes

1
1-36
Após a descrição fortemente idealizada do livro de Josué, temos aqui uma apresentação mais realista do processo: a luta contra as cidades-estados cananéias foi levada a cabo pouco a pouco, graças ao esforço solidário dos diversos grupos.
2
1-5
O projeto de criar uma sociedade é um processo histórico, e não se realiza de uma hora para outra. O grande risco é a coexistência com grupos que sustentam um projeto social injusto (os cananeus), o que constitui contínua armadilha e tentação de voltar para trás.
2,6-3,6
O texto fornece a chave para se compreender a história apresentada nos livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis. O importante para levar a frente um projeto é manter a memória ativa ou consciência histórica, adquirida através da resistência e da luta. A geração que luta mantém viva essa consciência (vv. 6-10a). A nova geração, porém, quebra essa memória e ameça fazer o projeto voltar atrás (v. 10b). O resultado é um vai e vaivém na história, entre a fidelidade a Javé e seu projeto, e o culto aos ídolos, que corrompe a sociedade.
Os vv. 11-16 apresentam a dinâmica que marca o destino histórico de um povo:
a) Pecado = alienação da consciência histórica: o povo abandona Javé, o Deus que produz liberdade e vida, para servir os ídolos que corrompem, produzindo um sistema social injusto (vv. 11-13).
a) Castigo = perda da liberdade e da vida: servindo aos ídolos da escravidão e da morte, o povo alienado perde a liberdade e a vida, que tinham sido duramente conquistadas (vv. 14-15a).
c) Conversão = volta à consciência histórica: no extremo limite do sofrimento, o povo volta à consciência histórica, e clama a Javé (v. 15b; 3, 9.15).
d) Graça = libertação: Javé responde ao clamor, fazendo surgir líderes (juízes) que organizam o povo e o ajudam a reconquistar a liberdade e a vida (v. 16).
Mas a história continua, e as novas gerações parecem estar sempre voltando à alienação da consciência, à perda da memória (vv. 17-19). à primeira vista, teríamos a tentação de dizer que a história é um círculo vicioso, que volta e termina sempre ao mesmo lugar. O autor, porém, mostra que tal círculo pode ser quebrado: para isso, é necessário que cada geração assine o projeto de Javé e continue a luta dos antepassados. O desafio é extinguir completamente a idolatria, que impede a liberdade e a vida (2,20-3,6).
3,7-16,31
Costuma-se distinguir os juízes entre maiores e menores, de acordo com o tamanho da notícia que se tem sobre eles. Seguindo esse critério, os juízes maiores são: Otoniel, Aod, Débora e Barac, Gedeão, Jefté e Sansão. Os menores são: Samgar, Tola, Jair, Abesã, Elon e Abdon. É difícil distinguir a função própria de cada um deles. O texto leva a pensar que os juízes maiores eram líderes que, em circunstâncias difíceis, organizavam uma ou várias tribos para fazer frente aos ataques de cidades-estado cananéias ou de inimigos vizinhos. A função desses juízes maiores era defender o sistema tribal em situações de emergência. Os juízes menores, ao que parece, eram chefes regulares de tribos, e sua função era principalmente administrar a justiça. O texto, porém, parece confundir essa distinção, apresentando juízes maiores também como administradores da justiça (Débora, Jefté) e juízes menores como guerreiros (Samgar, Tola).
Quando um povo procura realizar historicamente um ideal de justiça e fraternidade, as lideranças aparecem no momento certo para organizar o povo e liderá-lo em situações difíceis. O livro de Samuel, porém, mostrará que isso não basta: quando os inimigos são superorganizados, também o povo tem necessidade de uma organização permanente, que lhe assegure manter-se no meio das grandes potências.
3,7-11
Baal e Aserá eram a divindade masculina e feminina da religião cananéia. Serviam de cimento ideológico do sistema das cidades-estado, justificando a política opressora e exploradora dos reis. O juiz é impulsionado pelo "espírito de Javé"; sua ação se inspira no projeto libertador de Javé, que atende ao clamor do povo.
12-31
Para assegurar sua própria independência e espaço vital, o povo tem que enfrentar os poderosos. Nessa luta desigual, é preciso recorrer à inteligência, esperteza e coragem para derrotar o opressor.
4
1-24
Este episódio, também apresentado em poesia (cap. 5), foi decisivo para o sistema das doze tribos de Israel: a vitória sobre os reis cananeus, situados na faixa central, favoreceu a união entre as tribos do sul e do norte. O texto, porém, está interessado nas principais personagens, do que na batalha em si. Contrapõe duas mulheres a dois homens: Débora, profetisa e juíza decidida e corajosa, contra Barac, guerreiro indeciso e sem coragem. Sísara, general fugitivo, contra Jael, mulher corajosa, que consegue liquidar o principal inimigo de Israel.
5
1-31
Este é um dos hinos mais antigos da Bíblia, composto logo depois dos acontecimentos. Trata-se de uma versão poética sobre os mesmos fatos apresentados no capítulo 4. Como se trata de uma batalha decisiva para o projeto das tribos, ela é apresentada como guerra santa: o autor convida ironicamente os reis e governadores cananeus derrotados a ouvir o que Javé realizou (vv. 2-5). Descreve-se o resultado da vitória: as caravanas de mercadores, que levavam objetos de luxo e armas para as cidades-estado, tiveram o seu caminho cortado (v. 6). Sem poder mais explorar os camponeses e suas terras, tais cidades não conseguiram oferecer sacrifícios e seus deuses por falta de animais, e seus armazéns ficaram vazios por falta de trigo (v. 8a). Enquanto isso, os camponeses vitoriosos conseguiram livrar-se dos tributos e puderam gozar de fartura com os despojos da guerra e das caravanas (v. 7). A vitória foi conseguida sem que Israel possuísse armas de guerra como os cananeus (escudo, lança, carros): foi a vitória do projeto de Javé (v. 8b).
As tribos foram convocadas, sob a liderança de Débora. Dependendo da colaboração ou não, as tribos são elogiadas ou criticadas (vv. 9-18.23). A estratégia decisiva para a vitória foi o combate na planície, onde a cheia do rio Quison tornou impossível a movimentação dos carros cananeus (vv. 19-22). A ação de Jael mostra a importância da mulher nessa luta: é ela quem mata o grande general cananeu (vv. 24-27). ) cântico se fecha de forma fúnebre, com a mãe do opressor esperanto inutilmente pela volta do filho vitorioso (vv. 28-30). O v. 31 encerra o cântico com o desejo de que o projeto de Javé seja sempre triunfante.
6
1-6
Na busca de implantar um novo sistema político, econômico e religioso, Israel teve que enfrentar novos inimigos (cf. nota em 2, 1-5). Estes, vindos do leste e do sul, se apoderam de toda a produção agrícola e pecuária, deixando o povo na miséria.
7-10
O profeta analista a causa da situação: o povo abandonou o projeto de Javé. A infidelidade no campo religioso provoca o enfraquecimento geral do sistema, que se enche de brechas, permitindo a entrada de grupos não comprometidos com o projeto, provocando assim uma volta da exploração e opressão.
11-24.36-40
Gedeão é o líder que tentará reorganizar o povo. A primeira coisa a fazer será voltar ao projeto do Deus libertador (v. 13) e colocar-se a serviço dele. O sinal confirma a missão (cf. nota em Ex 4, 1-9).
25-32
Para uma volta ao projeto de Javé, é necessário romper a religião de Baal, que cimenta o sistema opressor das cidades-estado.
33-35
Retomando o projeto de Javé, Gedeão consegue reunir várias tribos para enfrentar o inimigo externo.
7
1-8
Gedeão lidera um grupo popular para combater os madianitas. Não se trata de um exército profossional, e sim de um grupo minoritário, mas cheio de coragem (v. 3).

7,9-8,3
O combate contra os madianitas apresenta um estratagema de guerrilha, que é o concurso popular contra exércitos organizados. A tenda simboliza a vida dos medianitas nômades, e o pão de cevada lembra a vida agrícola dos israelitas: o sonho anuncia a vitória dos israelitas sobre os medianitas (vv. 13-14). O texto de 7,23-8,3 parece refletir uma tradição diferente, que foi unida aqui.A narrativa de 7,22 continua em 8,4.
8
4-21
Os habitantes de Sucot e Fanuel não se solidarizam com Gedeão, pois não acreditam
 no sucesso da campanha e temem a represália dos madianitas. A guerrilha depende da solidariedade e apoio popular: se o povo não acredita no sucesso de uma ação revolucionária, esta dificilmente conseguirá se manter.
22-35
As tribos tinham feito longa luta para superar o sistema das cidades-estado, onde os reis se perpetuavam no poder através de sucessão dinástica (de pai para filho). A proposta feita a Gedeão (v. 22) significava uma volta ao sistema que se combatia. Na resposta de Gedeão (v. 23), temos o ideal defendido pelas tribos: a única autoridade sobre o povo é Javé, e isso não permite constituir poderes absolutos, que sempre acabam por explorar e oprimir o povo. Sobre os vv. 33-35, cf. nota em 2,6-3,6.
9
1-6
O texto é irônico e descreve o processo de ascensão ao poder. O discurso ideológico procura convencer o povo de que o poder centralizado é melhor do que o poder participado (v. 2). O poder se constitui a partir da entrega simbólica da liberdade do povo através da oferta em dinheiro (v. 4a). O dinheiro é usado imediatamente para eliminar os concorrentes e estabelecer uma autoridade única (vv. 4b-6).
7-21
Os vv. 8-15 reproduzem uma fábula particular, que apresenta a mais severa crítica ao poder político: somente aquele que nada produz é que se presta para exercer o poder, e a segurança que ele oferece não passa de armadilha contra a liberdade do povo. Os vv. 16-20 aplicam essa fábula à situação, mostrando que o povo deverá arcar com as consequências de suas próprias decisões.
22-25.42-49
Os "juízes", que lutam com desprendimento em favor do povo, são guiados pelo "espírito de Javé" ou pelo "anjo de Javé" (3,10,15; 4,6; 6,12; 11,9; 13,25). E quem é movido pela ganância do poder e oprime o povo, torna-se presa do "espírito mau", que provoca divisão e discórdia, desencadeando uma sequência crescente de morte.
26-41
Este episódio, inserido aqui posteriormente, mostra uma tentativa de subversão contra a prepotência de Abimelec. O texto nota que essa tentativa se frustrou porque foi feita com antigos aliados de Abimelec e sem planejamento sério; tornou-se uma aventura pessoal, que acabou jogando o povo nas mãos do inimigo.
50-57
Acontece o que Joatão tinha previsto (cf. nota em 9,7-21). De novo, uma mulher é quem põe fim à carreira do opressor (cf. nota em 4,1-24).
10
1-5
Tola e Jair são "juízes menores" (cf. nota em 3, 7-16,31).
6-18
Repete-se aqui o esquema que encontramos anteriormente (cf. nota em 2,6-3,6). O texto tem caráter de liturgia penitencial: reconhecer os erros repetidos produz conscientização mais profunda.
11
1-11
Muitas vezes, aqueles que são desprezados e marginalizados tornam-se, dentro do projeto de Deus, instrumentos de libertação. Uma estrutura de sociedade que marginaliza  o povo em benefício de uma classe dominante, acaba em situações críticas, que só os marginalizados por essa mesma estrutura são capazes de resolver. O Novo Testamento mostrará que a nova construção se apóia justamente sobre a pedra rejeitada (cf. Mt 21,42).
12-28
O texto é confuso. Pelo que parece, tenta resolver pacificamente - dentro de celebrações litúrgicas - alguns problemas sobre a posse de territórios situados na Transjordânia.
29-40
O texto é advertência contra promessas que não estejam de acordo com o projeto de Javé, que é projeto de vida e não de morte.
12
1-7
A tribo de Efraim era poderosa e arrogante, sempre alerta para evitar que nenhuma outra pudesse sobressair (cf. 8,1-3). Chibôlet significa espiga de trigo.
8-15
Abesã, Elon e Abdon são "juízes menores" (cf. nota em 3,7-16,31).
13,1-16,31
Os filisteus eram um grupo provindo do Mediterrâneo e que se fixou na costa sul de Canaã, por volta de 1.200 a.C. Rapidamente se tornaram perigosos para a sobrevivência do sistema das tribos.
A história de Sansão, a mais longa no livro dos Juízes, salienta de início que Sansão é um instrumento escolhido por Javé para libertar o povo ameaçado pelos filisteus. O resto da história deixa bem claro que Deus é livre para escolher os seus instrumentos, e não se restringe a escolher aqueles que os homens julgam moralmente perfeitos, nem realiza a sua ação através dos meios que nós consideramos os mais apropriados. Notemos bem que a vida de Sansão se encerra num ato heróico:  ao mesmo tempo em que morre, ele tira a vida dos chefes filisteus (16,30), libertando assim o seu povo.
17-18
Estes capítulos, conservando narrativas antigas, procuram dar um panorama de como o culto a Javé se desenvolveu na época de Israel antes da monarquia. Em época mais remotas, o culto era feito em família, e o pai era o sacerdote, ou alguém nomeado por ele. Na falta do pai, a mãe tomava a iniciativa de estabelecer o culto (17,1-6). Depois, essa atividade sacerdotal começou a ser realizada pelos levitas itinerantes, que moravam junto a uma família e exerciam o cargo a troco do próprio sustento (17,7-13). Mais tarde, esses levitas também serviram como foco de união cultural de toda uma tribo (18,19-20). Não havia ainda nenhum santuário central para todas as tribos. A única coisa que se procurava preservar, através dessa religiosidade popular, era a adoração a Javé, o Deus do êxodo. Durante a monarquia, esse culto foi centralizado em Jerusalém.
O cap. 18 preserva também um fato histórico: a migração da tribo de Dã para o norte. Isso aconteceu porque o território onde Dã se havia estabelecido não era favorável, por causa da forte pressão dos filisteus.
19-21
Essas narrativas mostram alguns princípios básicos para se preservar um mínimo de relacionamento e unidade entre as tribos. Destaca-se como dever sagrado a hospitalidade: o retardamento da narrativa (19, 1-9) é justamente para salientar esse aspecto. Os habitantes de Gabaá e os benjaminitas violam esse dever (19,10-30). O cap. 20 mostra como as tribos reagiam com rigor contra  aqueles que violavam essa hospitalidade, talvez o único gesto de solidariedade capaz de manter a sobrevivência num território ainda cheio de inimigos.
O cap. 21 mostra como era necessário preservar a existência de todas as tribos e evitar a todo custo o extermínio de uma delas: nessas circunstâncias, o rigorismo cede lugar à piedade e à compreensão.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Segunda Carta a Timóteo

2
8-13
Timóteo é convidado a viver como testemunha da ressurreição. A seguir, é recordado um hino batismal(vv. 11-13): neste se afirma o compromisso com uma prática que seja coerente com a fé recebida.
3
1-17
Jesus anunciara perspectivas sombrias para os últimos tempos: os falsos messias se multiplicam, desviando as pessoas com doutrinas perversas (cf. Mt 24, 4-5.24). Paulo relembra esse aumento do mal que antecede o fim da história (cf. 2Ts 2,3-12). Segundo a lenda judaica, Janes e Jambres foram os chefes dos magos que se opuseram a Moisés na presença do Faraó (cf. Ex 7,8ss). Quem anuncia o Evangelho deve contar com a perseguição (cf. Mt 10,22; At 13, 1-14,28), permanecendo fiel à palavra de Deus contida na Sagrada Escritura: nela se encontra o alimento da fé e a força para o testemunho.

4
1-5
A missão dos apóstolos e pastores é, em primeiro lugar, anunciar o Evangelho, a fim de que os homens deixem a idolatria e sirvam ao único Deus vivo.
6-8
Diante da certeza do martírio, Paulo se compara a um atleta que recebe o prêmio da vitória: ele sabe que sua vida foi inteiramente dedicada a propagar e sustentar a fé.
9-18
Os últimos tempos de Paulo são tristes e solitários. Embora abandonado e traído pelos companheiros mais próximos, seu olhar continua firme no Senhor, para anunciar o Evangelho e finalmente participar plenamente do Reino. Lucas já estava com Paulo no tempo da prisão (cf. Cl 4,14); talvez seja este Lucas o autor do 3º Evangelho e do livro dos Atos dos Apóstolos. Marcos ou João Marcos foi companheiro circunstancial (cf. At 12,12) e teve uma divergência com Paulo (cf. At 15, 37-39). Mas o encontramos como companheiro fiel no tempo da perseguição (cf. 4,10).
6